Crescimento da inflação dos EUA ainda forçará o Fed a pensar em mudar a política monetária mais cedo

A esperança dos investidores, de que a taxa de inflação dos EUA desacelerasse, desapareceu após os últimos dados do consumidor na terça-feira, que continuaram subindo estavelmente desde o outono.

Baseada nos dados presentes, a inflação no consumidor nos Estados Unidos, em termos anuais, deveria ter caído de 5,0% para 4,9%, mas subiu para 5,4%. Em termos mensais, esperava-se que o valor caísse de 0,6% em maio para 0,5% em junho, mas isso também não ocorreu. A inflação mensal subiu para 0,9%. Ao mesmo tempo, a inflação subjacente no consumidor subiu mais do que o esperado, 4,5% a/a contra 4,0% e 3,8% em maio. Em junho, o indicador mostrou um crescimento notável, maior que a previsão - 0,9% contra 0,4% e um aumento de 0,7% em maio. No geral, a inflação no consumidor subiu aos níveis do meio de 2008 pela primeira vez em 13 anos.

Como os mercados reagiram ao forte crescimento da inflação?

Os índices de ações globais caíram, mostrando preocupações crescentes justificadas, de que as palavras ditas pelos membros do Fed, sobre a natureza temporária do crescimento da inflação, fossem erradas. Acreditamos que a inflação continuará subindo, desde que haja medidas sem precedentes de apoio financeiro para a população do país, que causou o crescimento da demanda da população por bens e serviços, mas mantêm os valores baixos dos empregos. Tudo isso acontece contra o cenário de altos impostos e a relutância da população de baixa renda de procurarem empregos, preferindo depender dos benefícios.

Nessa situação, o Fed precisará recorrer relutantemente à restrição da política monetária. Primeiro, deve começar a reduzir o volume de recompras de obrigações do governo. Podemos lembrar que o regulador, atualmente, está comprando ativos por $ 60 bilhões por mês. Após isso, começará a subir as taxas de juros no próximo ano e não em 2023, como deveria.

As ações do regulador dos EUA tornarão-se um sinal comum para os Bancos Centrais do mundo, que também gradualmente restringirão a política monetária seguindo os Estados Unidos. Mas nessa situação, o Fed terá controle, o que significa que muito provavelmente haverá um fortalecimento global do dólar dos EUA, em meio às vendas dos Tesouros, que começaram novamente e uma correção de baixa notável nos índices de ações.

Porém, outro fator importante, que influenciará todos esses eventos, também deve ser considerado - a situação da COVID-19. Os médicos avisam que essa infecção fica em uma pessoa por muito tempo, o que significa que surtos em alguns locais do planeta irritarão os investidores, forçando-os a reagir.

O que pode ser esperado?

Acreditamos que a taxa de inflação dos EUA não desacelerará até a primavera, em vez de uma pequena correção ser vista, pode-se esperar que o presidente do Fed, J. Powell, anuncie em seu discurso em Jackson Hole, no final de agosto, uma mudança na taxa de câmbio monetário e o início de uma redução do volume no resgate de Tesouros em dezembro deste ano.

Quanto à possível dinâmica atual dos mercados, ela será influenciada pelo assunto da inflação alta nos Estados Unidos. O foco estará na publicação dos dados da inflação industrial dos EUA e o discurso de Powell no Congresso. Além disso, o Banco Central do Canadá terá uma reunião sobre a política monetária, seguida pelo discurso do chefe do banco. Os valores das reservas de petróleo bruto norte-americanas para a última semana também serão divulgados.

Previsão do dia:

O par EUR/USD está sendo negociado próximo de uma baixa de quatro meses, de 1,1700. Se os dados da inflação industrial mostrarem crescimento e Powell falar sobre a mudança na taxa de câmbio monetária em seus discurso no Congresso, então isso pressionará o par, permitindo que ele caia mais, ao nível de 1,1700.

Após a reunião do Banco do Canadá, o par USD/CAD pode continuar subindo, em vista de manter o rumo anterior da política monetária e a ausência de muitos sinais para mudanças promissoras nessa política. A pressão no dólar dos EUA, em meio ao assunto abordado de possivelmente restringir a política monetária, apoiará o par, que muito provavelmente continuará subindo primeiro ao nível de 1,2590, depois para 1,2680.