O preço do ouro subiu, ficando acima da marca de US$ 5.000 por onça pelo segundo dia consecutivo. O enfraquecimento do dólar americano contribuiu para a continuação da alta nos preços dos metais, impulsionada pelos riscos geopolíticos e pela fuga dos investidores dos títulos públicos e moedas.
Hoje, os metais preciosos avançaram 1,4%, marcando o sétimo dia consecutivo de alta. O movimento ocorreu logo após o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar aumentar as tarifas sobre produtos sul-coreanos, enquanto o índice do dólar recuou ainda mais em meio a especulações crescentes de que os Estados Unidos poderiam ajudar o Japão a sustentar o iene. A prata, por sua vez, disparou mais de 7%.
A possibilidade de uma nova escalada dos conflitos no Oriente Médio e envolvendo o Irã alimenta temores de instabilidade na economia global. Diante da volatilidade nos mercados acionários e da desvalorização cambial, investidores em busca de proteção têm recorrido cada vez mais ao ouro, tradicionalmente considerado um ativo de refúgio seguro. A perda de confiança nos títulos públicos, especialmente nos EUA e na Europa, reforça ainda mais o apelo do metal precioso como instrumento alternativo de preservação de capital.
Como mencionado anteriormente, a forte valorização do ouro — que mais que dobrou nos últimos dois anos — reforça seu papel histórico como indicador do medo nos mercados. Após registrar o melhor desempenho anual desde 1979, o metal já acumula alta de 17% neste ano, impulsionado principalmente pelas chamadas operações de desvalorização, nas quais investidores se afastam de moedas e títulos do Tesouro. A liquidação em larga escala no mercado de títulos japonês é o exemplo mais recente desse movimento de rejeição a elevados gastos públicos.
Segundo a maior gestora de ativos da Europa, a Amundi SA, o crescente isolamento dos Estados Unidos em relação a outros países tem levado muitos investidores a reduzir sua exposição a ativos denominados em dólar e a migrar para o ouro. "No longo prazo, o ouro é uma excelente proteção contra a desvalorização e uma boa forma de preservar parte do poder de compra", afirmou a Amundi.
Além disso, muitos investidores seguem adotando uma postura defensiva diante da incerteza sobre quem será o próximo presidente do Federal Reserve. Uma orientação mais branda por parte da liderança do Fed fortaleceria as expectativas de novos cortes de juros ainda este ano, o que tende a favorecer os metais preciosos, que não oferecem rendimento. É amplamente esperado que o banco central dos EUA encerre seu ciclo de cortes de juros nesta quarta-feira, à medida que a estabilização do mercado de trabalho restabelece um certo grau de consenso após meses de crescentes divergências dentro da autoridade monetária.
Quanto ao panorama técnico atual do ouro, os compradores precisam romper a resistência mais próxima, em US$ 5.137. Isso lhes permitirá atingir US$ 5.223, acima do qual será bastante problemático romper. O próximo alvo será a área de US$ 5.317. Em caso de queda do ouro, os vendedores tentarão assumir o controle de US$ 5.051. Se forem bem-sucedidos, a quebra representará um duro golpe para as posições dos compradores e levará o ouro a uma baixa de US$ 4.975, com potencial para atingir US$ 4.893.