Após três dias de forte pressão vendedora, o S&P 500 registrou seu maior rali intradiário desde março. Teriam diminuído os receios de que a inteligência artificial prejudique os fabricantes de software? Ou os investidores reagiram positivamente aos dados mais fortes de sentimento do consumidor, divulgados pela Universidade de Michigan, que alcançaram o nível mais alto em seis meses?
Há diversos fatores por trás da alta, mas os pessimistas ainda não estão dispostos a hastear a bandeira branca.
Dinâmica do S&P 500
A liquidação de fevereiro no S&P 500 pareceu irracional. A inteligência artificial deveria atuar como um fator de ganho de eficiência para as empresas, mas o mercado passou a temer que ela pudesse, paradoxalmente, prejudicá-las. É verdade que a IA já demonstra uma capacidade impressionante de gerar código, o que, em tese, pode afetar modelos de negócio de fornecedores de software. Ainda assim, é pouco plausível imaginar que essas empresas abandonem ou tenham seus negócios desestruturados de forma abrupta. Trata-se de uma transformação estrutural e de longo prazo, o que torna a reação do mercado excessivamente emocional.
Sob a ótica fundamental, tanto a economia dos EUA quanto os lucros corporativos seguem sólidos, inclusive no setor de software. A expectativa de Wall Street é de um crescimento de aproximadamente 19% nos lucros em 2026, um patamar suficientemente robusto para sustentar novas valorizações das ações.
Dinâmica dos lucros dos fabricantes de software
Após um rali tão dramático no S&P 500, que lembra claramente as compras em queda observadas em 2025, os ursos passaram a recorrer a narrativas alarmistas. O Goldman Sachs sustenta que a liquidação no mercado amplo ainda não terminou, uma vez que fundos trend-following, orientados por regras sistemáticas de acompanhamento de tendência, tendem a inverter para posições vendidas quando os critérios técnicos de continuidade do movimento são rompidos. Segundo o banco, o potencial de baixa é de US$ 33 bilhões, com o alerta de que, caso o nível de suporte em 6.707 seja rompido, as vendas poderiam se intensificar para até US$ 80 bilhões.
Na minha avaliação, esse tipo de projeção soa mais como uma tentativa de mascarar uma mão fraca. Após três dias consecutivos de perdas, poucos esperavam um repique tão forte do S&P 500 sem um catalisador fundamental evidente. A segunda semana de fevereiro tende a ser decisiva: dados de emprego, desemprego e vendas no varejo nos EUA estarão no centro das atenções dos traders.
A grande questão é como o índice amplo reagirá a eventuais sinais de enfraquecimento econômico. Esses dados negativos servirão como gatilho para novas vendas ou o mercado voltará ao velho reflexo — "más notícias econômicas dos EUA são boas para o S&P 500" — à medida que os investidores passem a precificar cortes antecipados de juros pelo Fed e retomem a compra de ações?
Espero que o processo de rotação continue. O Dow Jones parece estruturalmente mais saudável do que o S&P 500 e o Nasdaq Composite, embora, para muitos traders atuais, soe quase como uma relíquia do passado. Até 2026, havia quem considerasse o Dow tão relevante quanto certificados físicos de ações ou a velha fita telegráfica.
Do ponto de vista técnico, o S&P 500 conseguiu romper as resistências dinâmicas formadas pela convergência de médias móveis no gráfico diário. Esse movimento sinaliza a retomada do controle pelos compradores e abre espaço para operações de compra acima da região de 6.910.