Correção do dólar canadiano continua

A inflação geral ao consumidor em janeiro recuou ligeiramente para 2,3% em termos anuais, ficando 0,1 ponto percentual abaixo das previsões dos economistas. O índice núcleo desacelerou ainda mais, de 2,8% para 2,6%, e o indicador mediano de inflação acompanhado pelo Banco do Canadá ficou visivelmente abaixo da meta de 2%. Ainda assim, o mercado reagiu de forma limitada à desaceleração.

Em comparação com os níveis de preços observados durante as isenções fiscais introduzidas em meados de dezembro de 2024, houve alta perceptível nas categorias afetadas pelo alívio temporário do IVA. As tendências mensais recentes, contudo, apontam para novas quedas de preços, e os rendimentos dos títulos canadenses recuaram após a divulgação dos dados.

Ao mesmo tempo, é importante lembrar que o efeito mecânico do aumento do IVA sobre a inflação anual deixará de influenciar a base de comparação no próximo mês. Depois disso, a eliminação da parcela do imposto sobre o carbono destinada ao consumidor tende a exercer pressão de alta sobre os preços. Esse contexto pode ajudar a explicar a reação contida do mercado: os traders parecem considerar o índice divulgado parcialmente distorcido por fatores temporários e pouco provável de levar a uma resposta decisiva por parte do Banco do Canadá.

Entretanto, o relatório de pedidos de bens duráveis dos EUA referente a setembro veio melhor do que o esperado, ao registrar uma queda de 1,4%, ante a previsão de −2%, e trouxe, de forma notável, os primeiros sinais de que o setor não tecnológico pode finalmente estar a recuperar-se. A produção de bens de alta tecnologia, incluindo computadores, equipamentos de telecomunicações e semicondutores, subiu quase 9% até janeiro, enquanto a produção de bens não energéticos excluindo esses componentes avançou apenas 2,2%.

Podemos estar a observar sinais iniciais de uma mudança no setor real associada à nova política de Donald Trump voltada ao apoio da manufatura doméstica. O crescimento das importações no ano passado foi impulsionado principalmente por equipamentos de alta tecnologia, enquanto as categorias não tecnológicas têm perdido dinamismo desde então.

No geral, o relatório de bens duráveis pode ser interpretado como ligeiramente positivo para o dólar, que voltou a tentar recuperar parte das perdas recentes. Ainda assim, no horizonte mais longo, nada mudou de forma substancial. Será necessário aguardar o relatório PCE de sexta-feira para avaliar a dinâmica da demanda interna, que até o momento parece resiliente; esse dado deverá ser decisivo para definir como o dólar encerrará a semana.

O posicionamento especulativo no dólar canadense (CAD) está próximo do neutro, com leve inclinação altista: ao longo da semana, a posição líquida comprada aumentou US$ 0,8 bilhão, para US$ 1,0 bilhão. O preço implícito permanece abaixo da média de longo prazo e continua em tendência de queda.

Há uma semana, observamos uma maior probabilidade de retomada do movimento de queda, mas a correção se prolongou. A resistência em 1,3722 se manteve. Se o par for negociado abaixo desse nível, qualquer alta deve ser considerada corretiva, e presumimos que a resistência não será rompida. Esperamos uma retomada da queda em direção a 1,3419.