Na quarta-feira, o ouro devolveu parte dos modestos ganhos intradiários e negocia ligeiramente abaixo de US$ 5.200 no início da sessão europeia, ainda próximo da máxima semanal alcançada na terça-feira. O metal continua sustentado por uma combinação de fatores favoráveis.
O dólar americano volta a enfrentar pressão vendedora, em razão das expectativas de que os atuais preços do petróleo já não são suficientemente altos para limitar seriamente a margem do Fed para cortar as taxas de juros. Isso aumenta o apelo do metal precioso.
Os preços do petróleo recuaram fortemente após um rali rápido até níveis não vistos desde junho de 2022. As cotações desabaram depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, insinuou um fim rápido da guerra com o Irã e uma possível desescalada do conflito no Oriente Médio.
Pressão adicional sobre os preços veio da notícia de que a Agência Internacional de Energia (IEA) propôs a maior liberação de petróleo de reservas estratégicas de sua história, com o objetivo de conter o pico de preços provocado pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Isso ajuda a aliviar as preocupações com possíveis picos inflacionários associados às ações militares e reforça as expectativas de novos cortes de juros pelo Federal Reserve, o que tende a enfraquecer o dólar e beneficiar o ouro.
Ao mesmo tempo, não há sinais de uma cessação real das hostilidades. Os ataques ao Irã se intensificaram, e a dinâmica do conflito permanece complexa, mantendo um elevado nível de incerteza geopolítica. Nesse contexto, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) intensificou suas operações contra os Estados Unidos e Israel, inclusive no ciberespaço, alegando ter iniciado ataques contra infraestruturas tecnológicas do inimigo na região. Isso aumenta a demanda por ativos de refúgio, incluindo o ouro.
No entanto, os participantes do mercado não estão se apressando em assumir posições direcionais, preferindo aguardar a divulgação dos dados de inflação ao consumidor dos Estados Unidos, prevista para hoje. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) será um importante referencial para as expectativas sobre futuros cortes de juros do Fed, especialmente diante do risco de que possíveis interrupções no fornecimento de petróleo através do Estreito de Ormuz possam voltar a pressionar a inflação. Na sexta-feira, os dados do deflator de Consumo Pessoal (PCE) também terão papel importante na dinâmica de curto prazo do dólar e, consequentemente, no preço do ouro.
A combinação de fatores fundamentais parece favorável aos compradores de ouro: eventuais recuos do preço podem ser vistos como oportunidades de compra e provavelmente serão correções relativamente limitadas.
Do ponto de vista técnico, os osciladores no gráfico diário permanecem positivos, o que favorece os compradores. O nível psicológico de US$ 5.200 continua sendo uma barreira importante. Por enquanto, o caminho de menor resistência para o ouro segue sendo de alta.