Os mercados estão tão confusos que já parecem incapazes de distinguir fantasia de realidade. A declaração de Donald Trump sobre um possível fim rápido do conflito no Oriente Médio impulsionou o S&P 500 ao seu melhor desempenho diário em meses. Mas como interpretar isso diante dos relatórios do Departamento de Defesa sobre os bombardeios mais extensos já realizados no Irã? Ou diante da recusa de Teerã em negociar com Washington?
Após passar a maior parte do dia 10 de março em alta, o índice amplo acabou encerrando a sessão no vermelho.
Dinâmica diária do S&P 500
O principal gatilho para a montanha-russa do S&P 500 foi uma publicação do secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmando que um petroleiro havia transitado com sucesso pelo Estreito de Ormuz sob escolta naval americana. A mensagem foi posteriormente apagada, e a Casa Branca emitiu uma negação. Ninguém está protegendo os fornecedores de petróleo — se assim fosse, navios dos EUA se tornariam alvos fáceis para o Irã. Enquanto isso, a notícia de uma explosão em um petroleiro perto de Abu Dhabi impulsionou os preços do Brent e do WTI. O índice amplo de ações, por sua vez, afundou.
Mais cedo, Donald Trump havia ameaçado o Irã com bombardeios ainda mais intensos caso o país colocasse minas no Estreito de Ormuz. Mas, se o Irã não tem intenção de negociar com os EUA, por que daria ouvidos ao presidente americano?
Por ora, os investidores ainda se agarram às ações, na esperança de que a resiliência da economia americana se mantenha — argumentando que os Estados Unidos são exportadores líquidos de energia e, portanto, deveriam se sair melhor do que outros países. No entanto, os acelerados fluxos de saída de capital de ETFs ligados ao S&P 500 sugerem que o medo está prevalecendo. Crescem os receios de que o PIB desacelere de forma significativa ao longo do tempo. Preços elevados do petróleo e da gasolina, taxas de juros altas do Fed e a substituição de empregos pela IA formam uma mistura tóxica que empurra o capital para fora dos EUA.
Fluxos de capital para ETFs orientados para o S&P 500
Antes do conflito no Oriente Médio, os investidores de varejo pretendiam comprar nas quedas, enquanto os investidores institucionais vendiam nos ralis. Hoje, ambos os grupos estão no mesmo barco, reagindo aos desdobramentos no mercado de petróleo.
Do ponto de vista técnico, o gráfico diário do S&P 500 formou uma pin bar com longa sombra superior. O preço tocou a média móvel e recuou a partir de uma resistência dinâmica. Todos esses sinais indicam fraqueza dos touros e sugerem venda em caso de rompimento abaixo da mínima da pin bar em 6.760. Por outro lado, um fechamento do índice amplo acima do nível de pivô em 6.770 poderia devolver alguma esperança aos compradores.