O ouro se estabiliza

O preço do ouro continua oscilando dentro de uma faixa estreita, à medida que os traders avaliam os riscos inflacionários em relação aos esforços para conter a crise do petróleo decorrente da guerra no Oriente Médio.

Os preços do ouro subiram 0,5% no último dia e permanecem acima de US$ 5.000 por onça, após uma queda de 0,3% na sessão anterior. Já o petróleo avançou depois de recuar pela primeira vez em quase uma semana, à medida que o Irã intensificou os ataques à infraestrutura energética no Golfo Pérsico, enquanto os EUA se preparam para liberar a primeira parcela de suas reservas estratégicas.

À medida que a guerra entre EUA e Israel contra o Irã entra em sua terceira semana e a alta dos preços da energia amplia as preocupações com a inflação, as perspectivas de cortes de juros pelo Federal Reserve e por outros bancos centrais diminuíram. Os traders veem pouca chance de corte na reunião do Fed, cujos resultados serão divulgados amanhã. Custos de empréstimo mais elevados, em geral, pressionam metais preciosos que não oferecem rendimento.

Analistas concordam que o Federal Reserve provavelmente manterá o nível atual da taxa básica de juros. Esse consenso baseia-se em diversos fatores, incluindo um crescimento do emprego estável, ainda que moderado, e uma inflação que, apesar de algum arrefecimento, deve acelerar significativamente até o fim de março.

Como observei anteriormente, o impacto de custos de empréstimo mais elevados sobre metais preciosos, como ouro e prata, é tradicionalmente negativo. Esses ativos tornam-se menos atraentes quando investimentos alternativos, como títulos, oferecem rendimentos mais elevados, já que não geram retorno por si só. Portanto, enquanto as taxas permanecerem altas, a pressão sobre os preços dos metais preciosos deve persistir, limitando seu potencial de valorização.

No entanto, vale destacar que outros fatores também influenciam o mercado de metais preciosos. Tensões geopolíticas, incerteza econômica e a demanda de mercados emergentes podem atenuar parcialmente o impacto negativo das taxas de juros.

O ouro já acumula alta de cerca de 16% neste ano, à medida que a incerteza geopolítica e as ameaças à independência do Fed sustentam a demanda por ativos de refúgio. O ímpeto de alta perdeu força desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, mas as preocupações com a estagflação, uma combinação de desaceleração do crescimento e inflação elevada, continuam a sustentar o ouro no longo prazo, reforçando seu apelo como reserva de valor.

A demanda por ouro permanece particularmente elevada na China, onde os investidores vêm aumentando suas posições em fundos negociados em bolsa (ETFs) de ouro desde o retorno do feriado de Ano Novo em 24 de fevereiro.

Quanto ao cenário técnico atual do ouro, os compradores precisam recuperar a resistência mais próxima em US$ 5.051. Isso permitirá buscar o nível de US$ 5.137, acima do qual será bastante difícil avançar. O alvo mais distante está próximo de US$ 5.223. Se os preços do ouro caírem, os vendedores tentarão assumir o controle do nível de US$ 4.975. Caso tenham sucesso, o rompimento dessa faixa dará um golpe significativo nas posições dos compradores e poderá levar o ouro até a mínima de US$ 4.893, com possibilidade de atingir US$ 4.835.