Petróleo a 200 dólares o barril? Por que não?

Donald Trump afirma que os preços do petróleo devem cair em breve. Já o Irã alerta que eles podem chegar a US$ 200 por barril. A julgar pelos acontecimentos no Oriente Médio, o segundo cenário parece mais plausível. O Brent fechou acima do nível psicológico de US$ 100 pela terceira vez em três dias. O conflito já entra em sua terceira semana, sem sinais de um desfecho próximo.

No início do conflito, os investidores compararam a situação ao verão de 2025, quando os ataques ao Irã duraram 12 dias, e a 2022. Há quatro anos, a guerra na Ucrânia levou o Brent acima de US$ 133/barril. Naquele período, os analistas discutiam a possível exclusão da Rússia, então o maior produtor mundial dos mercados. A produção russa era de cerca de 10 milhões de barris por dia, com aproximadamente um terço desse volume destinado à Europa. Um embargo da União Europeia ao petróleo russo poderia gerar um déficit de cerca de 3 milhões de barris por dia, impulsionando fortemente os preços.

Tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz

Hoje, as perdas são significativamente maiores. Antes da guerra, cerca de 20 milhões de barris por dia (b/d) transitavam pelo Estreito de Ormuz; em março, os fluxos encolheram quase 95%. O que ainda passa pela principal artéria petrolífera do mundo é, em grande parte, petróleo iraniano. De fato, alguns petroleiros da Índia conseguiram carregar cargas, o que provocou uma queda momentânea do Brent, mas esses embarques foram resultado de um acordo entre Teerã e Nova Délhi.

O Iraque tenta soluções semelhantes, mas sua produção de petróleo despencou de 4,4 milhões b/d para 1,2 milhão b/d. Quando as exportações são interrompidas, os estoques se acumulam e a produção precisa ser reduzida. As perdas dos EAU aumentaram de 500–800 mil b/d na semana anterior para 1,5 milhão b/d. A produção do Kuwait caiu cerca de 1,3 milhão b/d.

Trump está sob pressão, instando outros países a se unirem aos navios de guerra dos EUA na escolta de petroleiros pelo Estreito de Ormuz. A maioria dos aliados recusa. A Alemanha deixou claro: não é a sua guerra e não participará.

Ao mesmo tempo, o presidente dos EUA ameaça bombardear a infraestrutura do Irã na Ilha de Kharg, por onde passa cerca de 95% do petróleo do país. No entanto, tais ataques poderiam impulsionar os preços ainda mais. Enquanto algum volume ainda transitar por Ormuz, o déficit de oferta não será extremo — mas essa janela está se fechando rapidamente.

A magnitude desta catástrofe supera em muito a registrada no início de 2022, após o início da guerra na Ucrânia. O único fator atenuante é que o mercado já se encontrava claramente em baixa antes do conflito. A AIE afirma que pode liberar 400 milhões de barris das reservas estratégicas — mas isso é apenas parte da história; na verdade, até 1,4 bilhão de barris poderiam ser mobilizados, se necessário.

Quadro técnico

No gráfico diário, o Brent apresenta uma clara tendência de alta. As retrações parecem ser de curta duração e devem ser aproveitadas para abrir posições compradas no petróleo de referência do Mar do Norte. Metas iniciais: US$ 110 e US$ 120 por barril.