O ouro perdeu os ganhos do ano passado, registrando queda pelo nono dia consecutivo, à medida que a guerra no Oriente Médio intensificou o risco de inflação e aumentou as expectativas de aumentos nas taxas de juros.
Durante a sessão asiática, os preços do ouro despencaram quase 7%, caindo para abaixo de US$ 4.100 por onça. A forte liquidação acompanhou uma mudança nas expectativas do mercado após a escalada do conflito, sobretudo diante da forte alta dos preços da energia. Esse cenário alterou de forma substancial as perspetivas de cortes iminentes de juros pelo Federal Reserve e por outros grandes bancos centrais.
O aumento dos custos de energia — consequência natural da instabilidade geopolítica — cria um forte vento contrário para o ouro, um ativo sem rendimento. À medida que diminuem as expectativas de novo afrouxamento monetário, a atratividade do metal como porto seguro enfraquece. Isso contribuiu para que o ouro registrasse sua maior queda semanal desde 1983, sinalizando intensa pressão sobre esse tradicional ativo defensivo. Investidores que contavam com cortes de juros para sustentar o ouro agora revisam suas estratégias, desencadeando liquidações.
O mercado instável do ouro reflete o panorama mais amplo: os preços do petróleo são negociados perto dos níveis de fechamento mais elevados desde meados de 2022, enquanto os mercados acionários estão em forte queda. Nas três semanas desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, parte da queda do ouro foi impulsionada por vendas forçadas, à medida que investidores cobriam perdas em outros ativos de suas carteiras.
Embora a magnitude da liquidação no ouro não seja inédita, o ritmo da queda é significativamente mais acelerado do que no passado.
No fim de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, deu ao Irã um prazo de 48 horas para reabrir o Estreito de Ormuz ou enfrentar ataques às suas instalações energéticas. O Irã respondeu que fecharia totalmente essa via estratégica e atingiria infraestruturas de energia, TI e dessalinização caso suas instalações fossem atacadas. O ultimato de Trump foi emitido no sábado e expira hoje.
Entretanto, dados semanais do governo dos EUA, divulgados na sexta-feira, mostraram que fundos de hedge e outros grandes especuladores aumentaram suas posições líquidas compradas em ouro para o nível mais alto em sete semanas.
A prata também caiu cerca de 7%, para US$ 63,19.
Perspectiva técnica para o ouro
Os compradores precisam agora recuperar a resistência próxima em US$ 4.186. Isso permitiria um teste de US$ 4.249, acima do qual novos ganhos serão difíceis. A meta de alta mais distante está perto de US$ 4.304. No lado negativo, os vendedores tentarão assumir o controle de US$ 4.124. Se esse nível for rompido, uma quebra da faixa representaria um duro golpe para as posições de alta e poderia empurrar o ouro para US$ 4.062, com potencial para se estender até US$ 4.008.