A libra aproveita a oportunidade

A libra esterlina se fortaleceu de forma significativa na semana passada, reagindo ao cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã e à melhora do sentimento em relação aos riscos globais. A reação ao fracasso das negociações foi contida e de curta duração; já está claro que ambas as partes envolvidas no conflito estão dispostas a encerrar as hostilidades, restando apenas definir os termos desse desfecho.

O índice de vendas no varejo do BRC subiu de 0,7% para 3,1% em março, superando com folga as previsões. Esse é um sinal positivo para a libra, sustentando sua valorização; no entanto, trata-se de um indicador isolado, já que não foram divulgados outros dados econômicos na semana passada que ajudem a esclarecer o cenário da economia do Reino Unido.

A alta esperada da inflação também deve atuar como um fator altista, pois tende a pressionar o Banco da Inglaterra a adotar uma política monetária mais restritiva. O mercado de trabalho apresenta desempenho significativamente melhor do que o dos Estados Unidos: a taxa de desemprego vem caindo desde o início do ano, o nível de emprego está em alta e a pressão salarial tem diminuído.

A taxa de câmbio da libra esterlina está atualmente sendo determinada, em grande parte, pelos eventos no Oriente Médio. No que diz respeito aos dados domésticos, várias divulgações estão programadas para quinta-feira, o que permitirá avaliar o estado atual da economia do Reino Unido. Entre elas, destacam-se os dados do PIB de fevereiro, a estimativa do NIESR para o crescimento econômico — que também incluirá projeções sobre o impacto da situação no Oriente Médio —, além do relatório de produção industrial. Por ora, deve-se assumir que a libra permanece diretamente dependente da dinâmica do apetite por risco.

Uma visita oficial de Donald Trump à China está programada para os dias 14 e 15 de maio, tendo sido anteriormente adiada de 31 de março devido ao conflito envolvendo o Irã. Os Estados Unidos ainda enfrentam o desafio de conter o rápido crescimento chinês, e é provável que Trump esperasse chegar a essa visita com maior poder de barganha — especificamente, com controle sobre o fornecimento de petróleo iraniano à China. Esse objetivo, no entanto, não foi alcançado.

Além disso, ontem, o ministro da Defesa da China, Dong Jun, declarou que navios chineses atravessarão livremente o Estreito de Ormuz, apesar do bloqueio imposto pelos EUA. Trata-se de uma demonstração incomum de força por parte da China. Na manhã de terça-feira, o dólar atingiu o menor nível em três anos frente ao yuan. Isso sinaliza que a China está pronta para responder às pressões e manter uma postura firme; ao mesmo tempo, envia uma mensagem ao mercado de que o dólar atualmente carece de força estrutural e que a tendência de valorização pode já ter se esgotado.

O posicionamento especulativo em relação à libra permanece baixista, com uma posição líquida vendida de -4,7 bilhões, enquanto o preço estimado segue avançando com consistência.

Na semana passada, observamos que a libra tinha boas chances de registrar um movimento corretivo de alta. A libra aproveitou essa oportunidade, ultrapassando o alvo de 1,3479, e o impulso é forte o suficiente para dar continuidade ao movimento. Vale ressaltar que, do ponto de vista técnico, não há resistências significativas até 1,3867; esperamos que a alta continue em meio a uma fraqueza cada vez mais evidente do dólar.