O Bitcoin vem a registar um movimento de alta que, na prática, configura apenas uma correção há cerca de dois meses — algo claramente visível no gráfico diário. O pool de liquidez abaixo permanece intocado, e o preço apresenta elevada probabilidade de o revisitar. No curto prazo, é plausível que os market makers induzam movimentos destinados a convencer os traders de que uma nova tendência de alta está em curso.
Entretanto, o CEO da BitMEX, Arthur Hayes, afirmou que o preço do Bitcoin não depende exclusivamente da política dos bancos centrais, mas sim da oferta monetária global. Convém recordar que o último grande rali ocorreu no pós-pandemia, quando os bancos centrais expandiram significativamente a liquidez, levando os mercados a antecipar um ciclo de afrouxamento monetário. A lógica é direta: quanto maior a liquidez no sistema, menor o custo do dinheiro e maior a propensão ao fluxo de capital para ativos de risco.
A questão central é saber se esse cenário pode repetir-se no curto prazo.
Em que circunstâncias os bancos centrais voltariam a expandir a base monetária? Na nossa avaliação, o conflito no Irã não deverá alterar substancialmente a atual orientação de política monetária das principais economias. Embora a economia global possa desacelerar, dificilmente o fará a ponto de justificar uma nova expansão monetária em larga escala. Pelo contrário, um aumento da liquidez tenderia a intensificar as pressões inflacionárias, num momento em que os bancos centrais já antecipam aceleração dos preços — algo corroborado pelas leituras recentes do IPC.
Assim, o cenário mais provável continua a ser de manutenção — ou mesmo reforço — do viés restritivo, com taxas de juro mais elevadas e condições financeiras mais apertadas para conter a inflação. O Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Federal Reserve já sinalizaram que a principal prioridade para 2026 é evitar uma desancoragem inflacionária. Nesse contexto, uma expansão relevante da oferta monetária parece improvável no curto prazo.
O Bitcoin continua a ser um ativo de risco, atualmente inserido em tendência de baixa, tendo perdido cerca de 50% do seu valor nos últimos seis meses. Além disso, os investidores recordam que ciclos anteriores de alta foram seguidos por correções profundas, na ordem de 70% a 80%.
O Bitcoin continua a formar uma tendência claramente baixista, com ralis corretivos contra essa direção. Mantemos a expectativa de uma queda em direção a US$ 57.500 (nível de Fibonacci de 61,8% da tendência de alta de três anos), e, no momento, não há sinais de reversão da tendência. Mesmo o nível de US$ 57.500 já não parece representar um suporte final. Entre as atuais zonas de POI, a única região de destaque é o FVG (Fair Value Gap) de baixa mais próximo no gráfico diário, situado na faixa de US$ 79.300–US$ 81.200. No intervalo de 4 horas, o Bitcoin já realizou uma varredura de liquidez, mas isso, por si só, não é suficiente para justificar a abertura de posições vendidas — são necessários padrões de baixa. Ainda assim, em determinados casos, uma varredura de liquidez pode ser suficiente para desencadear um movimento mais expressivo.
No gráfico diário, o Ethereum continua a formar uma tendência de baixa, com movimentos corretivos contra essa direção. O principal padrão de venda foi — e permanece — o order block baixista no gráfico semanal. Como alertámos, o movimento desencadeado por esse sinal pode ser forte e prolongado. Após a sua formação, o Ethereum caiu cerca de 55% (aproximadamente US$ 2.500).
No curto prazo, o ETH pode continuar uma correção ascendente fraca, mas toda correção acaba por se esgotar mais cedo ou mais tarde. No gráfico de 4 horas, o Ethereum trabalhou razoavelmente bem os FVGs recentes, mas a ação do preço permanece fraca e corretiva.
Bitcoin e o Ethereum já varreram a liquidez das máximas de 17 de março. Uma nova queda poderá começar no curto prazo.
Comentários sobre os gráficosCHOCH — mudança de caráter / quebra da estrutura da tendência.
Liquidez — ordens de Stop Loss dos traders que os formadores de mercado utilizam para construir suas posições.
FVG — Fair Value Gap (zona de ineficiência de preço). O preço geralmente se move rapidamente por essas áreas, indicando ausência de uma das partes do mercado. Posteriormente, o preço tende a retornar e reagir a essas zonas.
IFVG — Fair Value Gap invertido. Após o retorno a essa zona, o preço não reage, mas rompe de forma impulsiva e depois a testa pelo outro lado.
OB — Order Block (bloco de ordens). Uma vela na qual um formador de mercado abriu posição para capturar liquidez e, em seguida, construir sua própria posição na direção oposta.