Mercado busca proteção

Boas notícias vindas do Oriente Médio permitiram que o S&P 500 voltasse a máximas recorde. A White House afirmou que não houve violação do cessar-fogo e que a Operação Epic Fury foi concluída. Donald Trump também relatou avanços nas negociações com o Irã. O cenário-base para o mercado acionário dos EUA passou a considerar um acordo de paz de curto prazo entre Washington e Teerã. A redução do risco geopolítico permite que o índice amplo mantenha o seu rali.

Os investidores estiveram tão focados no conflito no Oriente Médio e nos lucros do primeiro trimestre que, em grande parte, ignoraram o estímulo fiscal. Segundo o amplo plano tributário de Trump anunciado no ano passado, os consumidores receberão cerca de US$ 47 bilhões a mais em restituições de impostos em 2026 do que em 2025, enquanto a arrecadação fiscal do governo deve cair aproximadamente US$ 63 bilhões. Esse colchão fiscal para a economia sustenta uma perspectiva construtiva para o S&P 500.

O índice amplo vem ignorando a desaceleração da atividade no setor de serviços e o fato de os componentes de preços dos PMIs estarem próximos dos níveis mais altos desde 2022 — uma combinação que sinaliza aumento do risco de estagflação. Ao mesmo tempo, o mercado futuro vem precificando cada vez mais a possibilidade de aperto monetário por parte do Federal Reserve.

Dinâmica das expectativas do mercado em relação à taxa de juros dos fundos federais

Taxas de juros elevadas em meio a uma economia em desaceleração representam um obstáculo para o S&P 500. E esse não é o único desafio. O índice americano registrou um forte rali durante o conflito no Oriente Médio, enquanto o índice MSCI global avançou apenas modestamente. O JPMorgan Chase argumenta que uma desescalada poderia estimular compras de ações europeias e asiáticas subvalorizadas. Uma rotação de capital para fora dos EUA em direção a outros mercados retiraria um dos principais motores da alta do S&P 500.

Na minha visão, esse receio parece exagerado. O status dos EUA como exportador líquido de energia faz com que a economia americana esteja menos exposta aos elevados preços do petróleo e do gás do que regiões dependentes de energia, como Europa e Japão. Ao mesmo tempo, a retórica do European Central Bank e do Bank of Japan parece mais hawkish do que a do Federal Reserve. Enquanto Washington pretende manter a política monetária estável, Frankfurt e Tóquio continuam sinalizando possíveis aumentos das taxas de juros.

Assim, a expectativa de uma resolução do conflito no Oriente Médio, os sólidos resultados corporativos nos EUA e as medidas fiscais de Trump sustentam a continuidade da tendência de alta do S&P 500.

Do ponto de vista técnico, o índice amplo iniciou o novo pregão com um gap de alta no gráfico diário. Os vendedores não conseguiram fechar esse gap, o que indica fraqueza por parte dos bears. Diante desse cenário, faz sentido priorizar posições compradas no S&P 500. Os níveis-alvo para entradas de compra são 7.420 e 7.500.