Com a atenção voltada para o Oriente Médio, o estagnado acordo comercial entre os United States e a European Union voltou a ficar em segundo plano. Ontem, as negociações entre o Parlamento Europeu e os Estados-membros da UE sobre a implementação do pacto comercial transatlântico terminaram sem avanços, apesar dos alertas do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a iminente elevação das tarifas sobre automóveis europeus.
A reunião, que durou cerca de seis horas, discutiu emendas ao acordo firmado originalmente em julho passado durante a cúpula de Turnberry Summit, na Scotland. Segundo Cyprus, que atualmente ocupa a presidência do Conselho da European Union, ainda não foram tomadas decisões finais sobre os principais pontos do acordo.
O principal negociador do Parlamento Europeu, Bernd Lange, descreveu a rodada como construtiva, destacando avanços nos mecanismos de salvaguarda e nos procedimentos de revisão. No entanto, acrescentou que ainda há trabalho a ser feito. A próxima rodada de negociações está marcada para 19 de maio, em Strasbourg.
Como mencionado anteriormente, a administração de Donald Trump voltou a pressionar Brussels pela rápida ratificação do acordo. Na semana passada, o presidente dos United States ameaçou elevar as tarifas sobre carros e caminhões da União Europeia dos atuais 15% para 25%, acusando os europeus de avançarem lentamente na implementação das medidas acordadas.
O embaixador dos EUA na UE, Andrew Puzder, alertou que a Europa deve esperar aumentos tarifários em um futuro relativamente próximo caso não haja avanços significativos nesta semana. Puzder afirmou que ainda há tempo para resolver a questão e que o momento de fazê-lo é agora; segundo ele, caso isso aconteça, os EUA reconsiderariam sua decisão.
As causas do impasse permanecem praticamente as mesmas. Parlamentares europeus insistem na inclusão de salvaguardas adicionais no acordo, consideradas necessárias para proteger os interesses da União Europeia diante da imprevisibilidade da política comercial dos EUA.
Entre as propostas em discussão estão um mecanismo de suspensão caso os EUA não cumpram seus compromissos, reduções tarifárias condicionais — que só seriam implementadas após medidas recíprocas dos americanos — e uma cláusula de expiração automática do acordo em 31 de março de 2028, salvo renovação.
Alguns governos da UE, especialmente Germany, os países bálticos, além de Greece, Ireland e Sweden, defendem a manutenção da versão original do pacto, temendo que condições mais rígidas provoquem uma guerra comercial com Washington.
Apesar da ausência de um avanço decisivo, as autoridades demonstraram disposição para continuar trabalhando. Em comunicado, o ministro da Energia de Cyprus, Michael Damianou, destacou que as partes seguem comprometidas em agir rapidamente.
Os próximos dias mostrarão se a Europa conseguirá construir uma posição unificada e apresentar a Washington um texto de compromisso aceitável tanto para os legisladores europeus quanto para a administração americana. Caso contrário, a ameaça de tarifas mais altas sobre automóveis europeus poderá tornar-se apenas uma questão de tempo.
Quadro técnico do EUR/USD
No que diz respeito ao panorama técnico atual do EUR/USD, os compradores devem avaliar como superar o nível de 1,1760. Somente isso permitirá um teste de 1,1795. A partir daí, seria possível um movimento para 1,1825, mas alcançar esse nível sem o apoio dos principais participantes do mercado será bastante difícil. O alvo mais distante é a máxima em 1,1850. Caso haja uma queda apenas até cerca de 1,1725, espero uma ação significativa por parte dos grandes compradores. Se não houver ninguém nesse nível, seria prudente aguardar uma nova baixa em 1,1700 ou abrir posições compradas a partir de 1,1675.
Quadro técnico do GBP/USD
Quanto ao panorama técnico atual do GBP/USD, os compradores da libra precisam superar a resistência mais próxima, em 1,3615. Somente isso permitirá atingir o alvo de 1,3655, acima da qual será bastante difícil romper. O alvo mais distante é a área de 1,3685. Em caso de queda, os vendedores tentarão assumir o controle em 1,3580. Se forem bem-sucedidos, uma quebra da faixa representará um duro golpe para as posições dos compradores e empurrará o GBP/USD em direção à mínima em 1,3550, com a perspectiva de atingir 1,3515.