O mercado de ações dos EUA continua a dar mais peso às palavras do que aos atos. O S&P 500 registou a segunda máxima histórica consecutiva após Donald Trump afirmar que a guerra no Oriente Médio terminará em breve e que um acordo poderá ser fechado antes de seu encontro com Xi Jinping, previsto para a semana de 15 de maio.
Os investidores parecem pouco preocupados com os detalhes do acordo. Até mesmo a possibilidade de o Irã manter alguma capacidade nuclear vem sendo interpretada como um fator que pode reduzir os preços do petróleo e evitar uma nova aceleração da inflação, caso as tensões geopolíticas diminuam.
Durante muito tempo, os índices acionários dos EUA acompanharam de perto a dinâmica do petróleo, mas, em determinado momento, o S&P 500 rompeu essa correlação — que chegou inclusive a ficar negativa por um período. Parece que os mercados já precificaram o fim do conflito no Oriente Médio como cenário-base, mantendo-se indiferentes até mesmo à violação do cessar-fogo por Teerã.
O S&P 500 e a dinâmica do petróleo
O S&P 500 conta com seus próprios motores de alta: avaliações fundamentalistas antes deprimidas, resultados corporativos sólidos, incentivos fiscais e a força subjacente da economia dos EUA. O que mais seria necessário para sustentar um novo movimento de valorização?
De fato, cerca de 80% das empresas do S&P 500 que já divulgaram resultados superaram as expectativas de lucro, enquanto o crescimento do emprego no setor privado medido pelo ADP — o mais forte desde janeiro de 2025 — reforça a percepção de que a economia dos EUA continua em base sólida.
Será interessante observar a reação do S&P 500 ao relatório de empregos de abril do BLS. Será que dados fracos das folhas de pagamento não-agrícolas serão usados como justificativa para comprar ações? Nesse cenário, aumentariam as expectativas de uma política monetária mais frouxa por parte do Fed, o que, em teoria, deveria favorecer o índice amplo.
Dinâmica do emprego no setor privado dos EUA
Por outro lado, o S&P 500 tem vários trunfos para ignorar a política monetária — números fortes do relatório de empregos não agrícolas (NFP) podem impulsionar ainda mais o índice.
Um suporte adicional para as ações dos EUA pode vir das dificuldades enfrentadas por seus concorrentes. As intervenções cambiais no Japão, destinadas a sustentar o enfraquecido iene, sinalizam o uso de medidas não alinhadas ao livre mercado por parte do governo. Isso aumenta o risco político e incentiva a fuga de capitais.
A Europa enfrenta desafios diferentes. Seja pelo atraso da União Europeia na ratificação de um acordo com os EUA, seja pela declaração de Friedrich Merz de que "o Irã está constrangendo os EUA no cenário global", o resultado é o aumento da incerteza.
Ao mesmo tempo, a ameaça de Donald Trump de elevar as tarifas sobre carros europeus de 15% para 25% está pressionando o Euro Stoxx 600.
Do ponto de vista técnico, o gráfico diário do S&P 500 mostra uma aceleração da tendência de alta, visível no aumento da distância entre os preços e os níveis de suporte dinâmico, como as médias móveis exponenciais. As posições de compras, com alvos nos níveis anteriormente identificados de 7.429 e 7.500, permanecem válidas.