Libra esterlina: riscos políticos e incerteza geopolítica

Na semana passada, a libra esterlina apresentou volatilidade limitada, sendo negociada dentro de uma faixa estreita. A ausência de notícias econômicas domésticas relevantes deslocou o foco para os resultados das eleições locais.

A pesada derrota do Partido Trabalhista, que perdeu cerca de 1.500 cadeiras, colocou os riscos políticos em evidência. A pressão sobre o líder do partido, Keir Starmer, está aumentando.

O mercado acompanha atentamente quaisquer sinais de possíveis concorrentes fortes à liderança ou mudanças na direção política. A principal questão é como o mercado reagirá a essa incerteza política: continuará vendo-a como um fator de suporte (por meio do fechamento de posições de vendas e da redução das expectativas de prêmio de risco) ou começará a precificar um prêmio de risco mais persistente?

O crescimento econômico do Reino Unido está em trajetória de desaceleração: O PIB cresceu 1% na comparação anual e 0,1% na trimestral. O mercado imobiliário também mostra uma queda perceptível.

Os números inesperadamente altos do PMI de abril levantam questionamentos. Existem dúvidas sobre a sustentabilidade desse crescimento, considerando os futuros custos de energia para as empresas. Esses números elevados podem refletir pedidos feitos em meio ao pânico diante de uma esperada escassez de oferta.

O desenvolvimento futuro da situação dependerá em grande parte dos preços da energia e da situação no Estreito de Ormuz. Se o estreito permanecer fechado por várias semanas, o Bank of England provavelmente elevará os juros pelo menos duas vezes, possivelmente até três vezes, ainda este ano.

A postura inflexível do Irã — exigindo compensações, reconhecimento do controle sobre o Estreito de Ormuz e suspensão das sanções — combinada com a posição de Teerã, considerada inaceitável por Donald Trump, mantém um elevado grau de incerteza.

Em relação à inflação, a situação pode evoluir em duas direções opostas. Embora o mercado aposte que um tratado de paz será de fato assinado, caso isso não aconteça, a inflação, segundo previsões do Instituto Nacional de Pesquisa Econômica e Social (NIESR), poderá atingir entre 5% e 6% até o fim do ano e continuar subindo em 2027.

Não é preciso dizer que esse cenário levaria qualquer economia a uma depressão, já que a inflação aumentaria ao mesmo tempo em que a demanda do consumidor cairia e o PIB recuaria. Atualmente, o Banco da Inglaterra está orientado para o Cenário B (conforme mencionado na análise anterior), mas os acontecimentos começam a evoluir para o pior cenário possível, no qual a derrota do Partido Trabalhista nas eleições é apenas mais um passo.

A posição líquida de venda na libra esterlina aumentou em US$ 0,3 bilhão na semana reportada, atingindo -US$ 5,4 bilhões, enquanto o posicionamento especulativo permanece baixista e o preço calculado continua em queda consistente.

Embora a libra esteja se mantendo próxima dos níveis observados antes do conflito no Oriente Médio, seu potencial para novas altas parece esgotado. Um avanço nas negociações entre EUA e Irã pode provocar um impulso temporário no sentimento do mercado e levar a libra acima da máxima mais próxima em 1,3658. No entanto, esperar um forte movimento impulsivo de alta seria imprudente.

O cenário mais provável é que a máxima atual já tenha sido formada e que o par comece a virar para baixo em direção à região de 1,3450/70. Os próximos movimentos dependerão dos acontecimentos no Oriente Médio e de uma possível escalada da crise política interna.