O ouro se manteve estável pelo segundo dia consecutivo, retornando ao nível de US$ 4.700 por onça após uma forte realização de lucros.
Ontem, o metal precioso ficou sob pressão após a divulgação dos dados de inflação dos Estados Unidos, que levaram os mercados a aumentar as expectativas de uma elevação das taxas de juros pelo Federal Reserve.
O relatório mostrou que o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA subiu 0,6% em abril, registrando o maior avanço desde 2023, enquanto os salários reais dos americanos caíram pela primeira vez em três anos — a inflação corroeu o crescimento nominal da renda.
Os mercados reagiram rapidamente: os contratos futuros agora precificam uma probabilidade superior a 40% de um aumento de juros pelo Federal Reserve até o final do ano, enquanto, no fim de abril, essa probabilidade era próxima de zero. Os rendimentos dos títulos americanos também avançaram, já que os investidores passaram a exigir um prêmio maior diante das persistentes pressões inflacionárias vindas dos preços da energia.
Em teoria, isso deveria pressionar o ouro para baixo, já que, historicamente, juros mais altos prejudicam o metal, que não gera rendimento. No entanto, as perdas têm sido moderadas — e isso não é coincidência. O principal fator por trás dessa resiliência é a demanda, especialmente dos bancos centrais, que continuam ampliando suas reservas de forma agressiva.
Outro golpe para o mercado veio da Índia, o segundo maior consumidor de ouro do mundo. O governo indiano mais que dobrou as tarifas de importação sobre ouro e prata, elevando-as de 6% para cerca de 15%. A medida busca proteger a rupia e reforçar as reservas cambiais do país.
A prata permaneceu praticamente estável, sendo negociada em torno de US$ 86,47 por onça — alta de 17% desde o início de maio. Já a platina e o paládio registraram quedas.
Assim, o ouro se encontra em uma zona turbulenta, influenciado por vários fatores: risco de aperto monetário nos EUA, medidas protecionistas inesperadas de grandes consumidores e instabilidade nos mercados de energia. Ainda assim, o metal demonstra uma resiliência impressionante, mantendo vivas as chances de retomada de um mercado de alta no curto prazo.
Do ponto de vista técnico, os compradores precisam recuperar a resistência mais próxima em US$ 4.708. Isso abriria caminho para um teste da região de US$ 4.771, cuja superação tende a ser bastante difícil. O próximo alvo estaria próxima de US$ 4.835.
Caso o ouro volte a cair, os vendedores tentarão assumir o controle da região de US$ 4.656. Se conseguirem, o rompimento desse intervalo representará um golpe importante para as posições de compras e poderá empurrar o ouro até US$ 4.607, com potencial de queda até US$ 4.546.