Ontem, os índices de ações dos EUA encerraram o dia com resultados mistos. O S&P 500 subiu 0,58%, o Nasdaq 100 registrou alta de 1,20%, enquanto o Dow Jones Industrial Average caiu 0,14%.
Todos os olhos estavam voltados para o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping em Beijing, que terminou sem avanços dramáticos — e os mercados reagiram em conformidade. Após um rali recorde no dia anterior, os índices acionários globais passaram a negociar próximos de suas máximas recentes, mas a cúpula não trouxe novos catalisadores capazes de impulsionar significativamente os futuros.
Trump descreveu as conversas como "excelentes" e falou em um "futuro fantástico" para ambos os países. Xi Jinping defendeu uma relação baseada em parceria, e não em rivalidade. A delegação empresarial ajudou a reforçar o tom positivo: Jensen Huang, da Nvidia, e Elon Musk, da Tesla, acompanharam o presidente americano, e Huang também classificou as reuniões como "excelentes". A China comprometeu-se a ampliar a abertura de seu mercado para empresas americanas.
Um resultado concreto da visita foi a autorização dos EUA para a venda de chips avançados H200 a dez empresas chinesas, incluindo Alibaba e Tecent - possivelmente o acordo mais tangível alcançado durante o encontro.
O clima otimista, porém, foi parcialmente ofuscado pela questão de Taiwan. Xi advertiu diretamente Trump sobre o risco de conflito caso a situação envolvendo a ilha seja "mal administrada", e os mercados rapidamente reagiram ao sinal. O tema Taiwan reacendeu o debate sobre o prêmio de risco geopolítico — justamente o fator que muitos investidores vinham ignorando em meio ao recente otimismo.
O mercado chinês respondeu ao desfecho da cúpula com perdas, em um movimento clássico de "comprar no rumor e vender no fato": o índice CSI 300 caiu 1,7%, pressionado principalmente pela fraqueza do setor de tecnologia. O Yuan offshore, por outro lado, avançou pelo 11.º pregão consecutivo, registrando sua sequência positiva mais longa desde 2017.
Quase despercebido em meio à cúpula ocorreu um importante desdobramento doméstico nos EUA: o Senado confirmou, por margem apertada, Kevin Warsh como presidente do Federal Reserve, em uma das mudanças de liderança mais controversas do banco central nas últimas décadas. A nomeação ocorre em um momento delicado de aumento das pressões inflacionárias, e o novo chefe do Fed enfrentará decisões difíceis desde o primeiro dia.
Os preços ao produtor nos EUA subiram 6,0% em abril na comparação anual — o ritmo mais forte desde 2022 e acima do consenso do mercado. Energia, impulsionada pela guerra e pela alta dos custos de transporte, foi o principal fator de pressão. Esses dados chegaram a interromper temporariamente o rali das ações, mas o movimento de alta foi retomado pouco depois.
Tecnicamente, a análise do S&P 500 sugere que a tarefa imediata para os compradores é superar o nível de resistência de US$ 7.474. Isso confirmaria um novo impulso de alta e abriria caminho para US$ 7.494. Manter o controle acima de US$ 7.518 consolidaria ainda mais a vantagem dos compradores. No lado negativo, os compradores precisam defender a área de US$ 7.451. Uma quebra abaixo desse nível provavelmente empurraria o índice de volta para US$ 7.427 e abriria caminho para US$ 7.404.