A escassez de chips está impulsionando um boom nas ações de semicondutores. Esse movimento permitiu que os mercados ignorassem uma série de fatores negativos — entre eles, o persistente conflito no Oriente Médio e o salto dos preços ao produtor nos EUA para 6% em termos anuais em abril, o maior nível em quatro anos. Em teoria, isso poderia forçar o Federal Reserve a apertar a política monetária, criando um vento contrário para o S&P 500. Mas, para o mercado, o presente parece importar mais do que o amanhã.
O índice amplo já acumula seu 17.º fechamento recorde de 2026 até agora; o Nasdaq Composite, o 13.º. O principal catalisador desta vez foi o fato de a capitalização de mercado da NVIDIA atingir US$ 5,5 trilhões após o convite do presidente Donald Trump ao CEO Jensen Huang para participar da cúpula na China. O principal motor por trás do rali do S&P, no entanto, continua sendo os resultados corporativos excepcionalmente fortes.
No 1.º trimestre, os lucros das empresas que já divulgaram balanços cresceram 27% — muito acima da expectativa inicial de 12% projetada por Wall Street no início da temporada de resultados. Excluindo os períodos de recuperação pós-recessão de 2008 e 2020, essa é a maior diferença registrada desde 2004.
Dinâmica da margem operacional das empresas do S&P 500
À primeira vista, tudo parece racional: lucros robustos, margens saudáveis. No entanto, bolhas especulativas anteriores — pense em Polaroid, Kodak, Xerox e outras — também pareciam fundamentalmente atraentes às vésperas de seus colapsos.
No fim dos anos 1970, o grupo Nifty Fifty, composto por 50 ações, representava 45% da capitalização do S&P 500. Hoje, a concentração é ainda maior. Cerca de dez empresas — todas do setor de tecnologia da informação, com exceção da Berkshire Hathaway — respondem atualmente por aproximadamente 40% da capitalização do índice amplo. Apesar da forte disparada do mercado, poucos participantes falam em uma bolha especulativa.
Dinâmica do S&P 500 e previsões consensuais
O principal risco apontado pelo Morgan Stanley para sua projeção otimista é um cenário em que uma economia superaquecida acelere as pressões inflacionárias e force o Fed a apertar a política monetária. Também há preocupações de que os investimentos massivos em inteligência artificial possam provocar um estreitamento da liquidez — ou seja, menos dinheiro circulando pelo sistema financeiro.
Do ponto de vista técnico, os touros continuam no controle no gráfico diário. O S&P 500 segue avançando de forma consistente em direção ao alvo anteriormente indicado de US$ 7.700. Diante dessa configuração, a abordagem tática continua sendo comprar nas correções. O principal suporte está em US$ 7.315.