A libra abriu a semana com um modesto ganho corretivo após as tensões políticas no Reino Unido diminuírem, na sequência do revés eleitoral inesperado dos Conservadores, e depois que o presidente dos EUA anunciou que não atacaria o Irã em 19 de maio — um desdobramento que reduziu o risco geopolítico global.
O relatório do mercado de trabalho do Reino Unido não trouxe grandes surpresas, exceto pelo fato de o crescimento médio dos salários ter subido em vez de cair como se esperava, reacendendo preocupações sobre pressões inflacionárias mais amplas.
A inflação parece agora altamente imprevisível. Antes do ataque ao Irã, as previsões indicavam que a inflação em abril poderia cair para cerca de 2% ou menos; agora, porém, está claro que ela deverá voltar a subir, possivelmente de forma significativa. O Banco de Inglaterra projeta uma inflação em torno de 3,1% no segundo trimestre de 2026 e de 3,3% no terceiro trimestre, com possibilidade de atingir 6% até o final do ano caso o conflito se prolongue. Já o Instituto Nacional de Pesquisa Econômica e Social, utilizando um modelo de rede neural multirrecorrente (MRN), prevê que a inflação continuará em trajetória de alta até março de 2027, embora com um pico ligeiramente inferior ao estimado pelo Banco de Inglaterra.As perspectivas para a economia do Reino Unido dependem do equilíbrio entre a alta da inflação e a desaceleração do crescimento. Os dados revisados do PIB do primeiro trimestre surpreenderam positivamente, mostrando expansão de 2,6% em termos anuais, contra uma estimativa preliminar de 1%.
Até recentemente, os mercados esperavam que o Banco de Inglaterra promovesse mais dois aumentos de juros este ano — e possivelmente três, em determinados cenários. O forte impulso econômico, apoiado por leituras elevadas dos PMIs em abril e maio, dá ao banco central margem para adotar uma trajetória de aperto monetário mais agressiva caso a inflação continue a subir.
Os dados de inflação de abril serão divulgados em 20 de maio. As previsões consensuais de curto prazo para abril são moderadas e até inferiores às leituras de março. A reação da libra à divulgação poderá ser mista:
- Se a inflação superar as expectativas, a probabilidade de novos aumentos das taxas de juros aumentará significativamente, o que provavelmente provocará uma valorização expressiva da libra esterlina.
- Se a inflação vier em linha com as previsões ou ligeiramente abaixo delas, é improvável que os mercados reajam de forma acentuada.
A desaceleração do crescimento agora parece quase inevitável. Em abril, o Fundo Monetário Internacional revisou para baixo sua projeção de crescimento do PIB do Reino Unido para 2026, de 1,3% para 0,8%, citando a dependência das importações de gás e a expectativa de uma postura menos agressiva por parte do Banco de Inglaterra.
Assim, caso a inflação de abril acelere, o Banco de Inglaterra poderá ter margem para elevar as taxas já em junho, em vez de aguardar sinais claros de desaceleração da atividade econômica. Os mercados podem interpretar esse cenário como positivo para a libra.
As posições líquidas de vendas na libra reduziram-se em GBP 1,8 bilhão na semana de referência, para −GBP 3,8 bilhões. Ainda assim, o preço implícito permanece abaixo da média de longo prazo e continua apontando para viés de baixa.
Uma semana antes, o cenário prioritário apontava para uma queda do GBP/USD em direção ao suporte na região de 1,3450–1,3470. A libra acabou por despencar sob pressão do risco de escalada geopolítica e não conseguiu encontrar suporte. A probabilidade de uma recuperação corretiva é considerada baixa; eventuais tentativas de subida em direção à zona de 1,3450–1,3470 tendem a gerar nova pressão vendedora. O novo alvo de queda foi revisto para a mínima de março, em 1,3157.