Fazer a mesma coisa repetidamente esperando um resultado diferente é considerado insanidade. Donald Trump primeiro exigiu mudança de regime no Irã, depois rendição total. Agora, o presidente dos EUA parece estar satisfeito apenas com a reabertura do Estreito de Ormuz. A sua tática consiste em ameaças seguidas de recuos. Os traders estão tão cansados do chamado TACO que criaram o termo NACHO — "No Chance the main oil artery will be opened" ("Nenhuma chance de a principal artéria do petróleo ser reaberta"). Isso significa que o caminho do EUR/USD continua apontando para baixo.
Na segunda-feira, Trump ameaçou o Irã com retaliação caso o país não acelerasse as negociações. Na terça-feira, adiou os alegados ataques planeados a pedido de uma coligação de três países — oficialmente mediadores, mas na prática os estados mais expostos a qualquer escalada. Teerã está a ameaçar a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Qatar, colocando em risco a infraestrutura energética desses países. Assim, parece que todos ficaram receosos das ameaças do presidente norte-americano — exceto o principal adversário.
Os mercados inicialmente reagiram em alta às notícias de supostas negociações em andamento, mas poucas horas depois tudo voltou ao normal. Os potenciais prejudicados por uma escalada não querem o regresso dos combates. O Irã não demonstra receio dos EUA e não pretende reabrir o Estreito de Ormuz. Isso significa que as expectativas de inflação nos EUA continuarão a subir, aproximando a Fed de um ciclo de aperto monetário. Excelente notícia para o dólar.
A dinâmica das expectativas de inflação nos EUA
O dólar dispõe de trunfos muito fortes. Os mercados estão cada vez mais convencidos de que os riscos geopolíticos têm maior probabilidade de se intensificar do que de desaparecer, o que sustenta a forte procura por ativos de refúgio. A alta dos preços do petróleo beneficia os países exportadores — incluindo os EUA. Em contrapartida, os principais concorrentes dos Estados Unidos — a Zona do Euro, o Japão e o Reino Unido — são importadores de petróleo. Como resultado, a economia americana pode desacelerar, mas tende a apresentar um desempenho relativamente melhor do que o de seus rivais.
Por que, então, o EUR/USD não despencou nem retornou à paridade, como aconteceu há quatro anos? A resiliência do dólar está ligada ao desempenho dos índices acionários dos EUA. Segundo a Yardeni Research, o S&P 500 ainda pode continuar avançando mesmo em um ambiente de estagflação. O fator-chave é que as empresas continuam lucrativas. Os fortes resultados corporativos ajudaram a sustentar o euro. No entanto, a temporada de balanços está chegando ao fim, e os investidores procuram novos motores de crescimento — sem encontrá-los até o momento.
Uma correção no mercado de ações dos EUA poderia dar novo fôlego aos vendedores do par EUR/USD. A julgar pela queda nos futuros dos índices de ações dos EUA, os investidores não acreditaram nas declarações de Donald Trump sobre um progresso positivo nas negociações com o Irã. É o que acontece quando alguém costuma confundir ilusões com fatos.
Tecnicamente, uma barra de engolfo de baixa pode se formar no gráfico diário do EUR/USD, com seu corpo cobrindo o corpo da barra anterior. Isso sinalizaria força de baixa e apoiaria a continuidade das vendas em direção a US$ 1,154 e US$ 1,144.