Petróleo registra ligeira recuperação após a queda de ontem

Donald Trump continua a fazer declarações, e o mercado petrolífero segue a reagir a elas. Atualmente, o Brent negocia em torno de US$106 por barril, após uma queda de 5,6% na quarta-feira, enquanto o WTI recuperou acima de US$99 por barril. A forte queda de ontem foi desencadeada pelas declarações de Trump de que os EUA se encontram nas "etapas finais" das negociações com o Irã. O mercado interpretou isso como mais um sinal de um acordo iminente — e imediatamente retirou parte do prémio de risco geopolítico dos preços.

No entanto, negociar com base nesse tipo de manchete está se tornando cada vez mais difícil. Nesta semana, relatos contraditórios sobre o progresso das negociações fizeram os preços do petróleo oscilar vários pontos percentuais para cima e para baixo.

Neste momento, o Irã está a analisar uma nova minuta de acordo apresentada pelos Estados Unidos em resposta à sua proposta de 14 pontos, mas ainda não há informações sobre uma resposta oficial. Ao mesmo tempo, Teerã alertou que, em caso de novos ataques por parte dos EUA ou de Israel, adotará medidas retaliatórias não apenas no Oriente Médio. Donald Trump afirmou que um acordo será alcançado — ou então "tomaremos algumas medidas desagradáveis".

É importante compreender que mesmo um acordo pacífico não representaria uma solução imediata para o mercado petrolífero. O diretor-executivo da Abu Dhabi National Oil Company, Sultan Al Jaber, declarou ontem que a recuperação total da oferta da região levará tempo, possivelmente até 2027, e classificou o bloqueio do Estreito de Ormuz como a maior interrupção de oferta da história.

Segundo o Goldman Sachs, o transporte de petróleo do Golfo Pérsico até o destino final pode levar até 55 dias — o que significa que a escassez de estoques poderá persistir muito tempo após a reabertura do Estreito.

Curiosamente, o relatório semanal dos estoques de petróleo dos EUA também foi divulgado ontem. Segundo os dados mais recentes, os estoques caíram aproximadamente 7,9 milhões de barris, já que compradores estrangeiros aumentaram significativamente as aquisições de petróleo norte-americano para compensar a escassez no Oriente Médio.

No lado positivo, surgiram sinais iniciais de retomada do tráfego pelo Estreito: três superpetroleiros, segundo dados de rastreamento, tentaram atravessá-lo. Teerã informou que 26 embarcações passaram pela região nas últimas 24 horas, embora relatórios anteriores do país tenham divergido significativamente das estimativas reais.

Quanto ao quadro técnico atual do petróleo, os compradores precisam reconquistar a resistência mais próxima em US$100,40. Isso abriria espaço para um movimento em direção a US$106,80, nível acima do qual um rompimento será bastante difícil. O alvo mais distante situa-se na região de US$113,40.

Caso os preços do petróleo recuem, os vendedores tentarão assumir o controle na área de US$92,50. Se tiverem sucesso, o rompimento desse intervalo poderá representar um golpe significativo para as posições dew compras e empurrar o petróleo para a mínima de US$86,60, com potencial de queda até US$81,40.