O petróleo volta a cair, em resposta a rumores

O preço do petróleo voltaram a cair em reação aos últimos acontecimentos, com maio ameaçando tornar-se o pior mês para o Brent desde 2020 — acumulando uma queda de 19% no período. O Brent é negociado próximo de US$ 92 por barril, enquanto o WTI recuou para US$ 87 por barril.

É dessa forma que os operadores estão reagindo ao acordo preliminar entre os EUA e o Irã para prorrogar o cessar-fogo por 60 dias e à possível reabertura do Estreito de Ormuz.

No entanto, é importante compreender o quanto esse acordo continua frágil. Segundo relatos, Trump ainda não aceitou os termos finais. O vice-presidente Vance afirmou aos repórteres que "é cedo demais para dizer quando — ou se — um acordo será realmente alcançado". O secretário do Tesouro, Bessent, respondeu a uma pergunta direta dizendo que "as equipes estão negociando" — e imediatamente relembrou as linhas vermelhas de Trump: a reabertura do Estreito e a transferência do urânio altamente enriquecido. As principais divergências sobre o programa nuclear, as sanções e o controle do Estreito continuam sem solução.

Mesmo que seja alcançado um acordo para estender o cessar-fogo, a restauração física do abastecimento é outra questão — e o mercado parece estar subestimando esse fator. Para começar, será necessário remover as minas do Estreito de Ormuz. A retomada da produção nos campos interrompidos levará vários meses. Os danos à infraestrutura energética causados por ataques de drones e mísseis exigirão reparos. Além disso, os petroleiros levarão semanas para chegar aos países importadores. O estrategista da TD Securities, Ryan McKay, alerta que, durante o período de recuperação, o mercado ainda poderá perder aproximadamente 1 bilhão de barris de oferta.

Enquanto isso, o déficit interno nos EUA cresce a um ritmo alarmante. Os estoques de destilados caíram para um nível não visto há mais de duas décadas. Os inventários no principal hub de Cushing diminuíram pela quinta semana consecutiva, para 23 milhões de barris — perigosamente próximos da marca de 20 milhões, abaixo da qual a operação física da infraestrutura de oleodutos se torna difícil. Esses não são números abstratos; representam um limite operacional real que pode surgir antes do esperado pelos formuladores de políticas.

Aaron Stein, presidente do instituto de pesquisa Foreign Policy Research Institute (FPRI), descreve a situação com precisão: as partes estão avançando de forma lenta e difícil em direção ao que está sendo apresentado como um acordo. A principal diferença em relação às tentativas anteriores é a existência de pelo menos um consenso sobre a necessidade de flexibilização mútua dos dois bloqueios. Isso não é pouco — mas está longe de ser suficiente para uma queda sustentável dos preços do petróleo.

De qualquer forma, notícias positivas vindas do Oriente Médio exercerão pressão sobre os preços do petróleo.

Quanto ao panorama técnico atual do petróleo, os compradores precisam superar a resistência mais próxima, em US$ 92,50. Isso permitirá visar US$ 100,40, nível acima do qual será bastante difícil romper. A meta mais distante ficará em torno de US$ 106,80. No caso de uma queda do petróleo, os vendedores tentarão assumir o controle dos US$ 86,50. Se forem bem-sucedidos, romper essa faixa representará um duro golpe para as posições dos compradores e levará o petróleo a uma baixa de US$ 81,40, com a perspectiva de atingir US$ 74,85.