Compradores de ouro não encontram argumentos para sustentar a alta

O ouro está mais uma vez sendo negociado em torno de US$ 4.460 por onça. Após uma queda de 0,6% no início do pregão, o metal se recuperou parcialmente, mas continua sob pressão. O cenário já conhecido se repete: mais um ciclo de escalada no Oriente Médio, sinais contraditórios em relação às negociações, e o ouro fica preso entre duas narrativas, sem encontrar uma direção clara.

O cenário de notícias de ontem foi especialmente confuso. Trump manifestou otimismo quanto à possibilidade de alcançar um acordo temporário de paz com o Irão, contrariando relatos da imprensa iraniana sobre a suspensão das negociações devido às hostilidades no Líbano. No entanto, quase simultaneamente, o Irão lançou mísseis balísticos contra o Kuwait e o Bahrein — que foram interceptados ou falharam durante o trajeto — enquanto forças dos EUA atingiam novos alvos na ilha de Qeshm.

É evidente que o metal continua numa tendência de baixa, refletindo a instabilidade do sentimento do mercado — e isso não é por acaso. Desde o início da guerra, o ouro perdeu cerca de 15% e tem-se movimentado em correlação inversa com o petróleo: o aumento dos preços da energia intensifica as expectativas de inflação, impulsiona as taxas de juro e pressiona o metal, que não oferece rendimento.

Tendo em conta que as taxas de juro nos EUA deverão subir até ao final do ano — uma vez que os dados mais recentes do mercado de trabalho norte-americano mostraram um aumento das vagas de emprego para o nível mais elevado em quase dois anos —, tudo isso reforça os argumentos a favor da manutenção de uma postura restritiva por parte da Reserva Federal. A presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, afirmou categoricamente que o banco central poderá em breve ter de agir para conter o aumento da inflação. Quanto mais elevadas forem as taxas de juro, menor tende a ser a atratividade do ouro.

A prata recuou 0,1%, sendo negociada a US$ 75 por onça. A platina permaneceu estável, enquanto o paládio avançou 0,2%.

No que diz respeito à atual situação técnica do ouro, os compradores precisam recuperar a resistência mais próxima, em US$ 4.481. Isso lhes permitirá visar US$ 4.546, nível acima do qual será bastante difícil romper. O alvo mais distante ficará próximo de US$ 4.607. Em caso de queda, os vendedores tentarão assumir o controle em US$ 4.432. Se forem bem-sucedidos, uma quebra da faixa representará um duro golpe para as posições dos compradores, empurrando o ouro para uma mínima de US$ 4.372, com a perspectiva de uma queda adicional para US$ 4.304.