O ouro oscila sem tendência definida

A julgar pelas cotações, o ouro resiste obstinadamente a encerrar a semana em baixa, embora esteja sendo negociado atualmente cerca de 2% abaixo do preço de abertura, de US$ 4.453 por onça.

É evidente que a semana foi agitada em sentido negativo: os confrontos mais graves no Oriente Médio desde o cessar-fogo de abril, o fracasso do acordo entre o Líbano e Israel e mais um impasse nas negociações entre os EUA e o Irã.

A situação das negociações no final da semana parece pior do que no início. O Hezbollah rejeitou o cessar-fogo com Israel mediado pelos EUA. Forças iranianas lançaram ataques com mísseis e drones contra o Kuwait e o Bahrein. Os EUA atacaram um petroleiro que se dirigia ao Irã. No entanto, Trump afirmou, em seu estilo habitual, que as negociações estão em fase final, embora o ministro das Relações Exteriores iraniano, Araghchi, tenha respondido no mesmo dia que não havia sido feito nenhum progresso concreto.

O mercado vem vivendo nesse ciclo de declarações mutuamente contraditórias há várias semanas e está gradualmente deixando de reagir a isso.

Para o ouro, a questão não é tanto a geopolítica, mas como ela influencia as taxas. O Estreito de Ormuz fechado mantém os preços do petróleo altos, os preços altos do petróleo impulsionam a inflação e a inflação força os bancos centrais a endurecer a política monetária — e tudo isso pesa sobre o metal sem rendimento. Além disso, tecnicamente, o metal está sendo negociado abaixo de níveis-chave nos gráficos diários e de quatro horas, indicando a continuação de uma tendência negativa.

Ao mesmo tempo, os bancos centrais não estão dando motivos para otimismo ao mercado. A presidente do Fed de São Francisco, Mary Daly, afirmou ontem que há muita incerteza na economia para se fazer previsões sobre as taxas, acrescentando: "Estamos preparados para reagir em qualquer situação, independentemente do que a economia nos reservar". Isso não é um sinal de postura dovish — é um sinal de prontidão para aumentar as taxas, se necessário. O presidente do Fed de Dallas, Logan, disse a mesma coisa no dia anterior, mas de forma mais direta.

Esta noite, será divulgado o relatório de emprego dos EUA referente a maio — e ele determinará o tom para a próxima semana. Se os dados de empregos não agrícolas forem melhores do que os 85.000 esperados, as chances de um aumento das taxas pelo Fed aumentarão — e o ouro ficará sob pressão adicional. A prata está caindo mais agressivamente hoje — com queda de 1,7%, para US$ 72,61. A platina está em queda, enquanto o paládio está subindo ligeiramente.

No que diz respeito ao atual panorama técnico do ouro, os compradores precisam recuperar a resistência mais próxima, em US$ 4.481. Isso permitirá visar US$ 4.546, nível acima do qual será bastante difícil romper. A meta mais distante será a área de US$ 4.607. Se o ouro cair, os vendedores tentarão assumir o controle em US$ 4.432. Se isso for bem-sucedido, romper a faixa representará um duro golpe para as posições dos compradores e empurrará o ouro para uma mínima de US$ 4.372, com potencial para atingir US$ 4.304.