Políticos europeus preparam os mercados para um segundo aumento das taxas de juros

Menos de 24 horas após o primeiro aumento da taxa de juros pelo BCE desde 2023, o presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, sinalizou que a medida tomada em junho não seria a última. "O Conselho do BCE se reunirá para sua próxima reunião de política monetária em julho", afirmou Nagel em comentários enviados por e-mail na sexta-feira. "Estamos mantendo todas as nossas opções em aberto e estamos prontos para agir novamente, caso seja necessário. Nossa abordagem de tomada de decisões baseada em dados e reunião a reunião continua sendo a mais adequada", afirmou.

Nagel deixou pouca margem para interpretações. Segundo ele, os efeitos da guerra com o Irã são amplos e persistentes, tornando necessária uma elevação das taxas de juros mesmo que as condições melhorem rapidamente. Em outras palavras, o BCE está atuando não apenas de forma reativa, mas também preventiva: os elevados preços da energia já estão sendo incorporados à inflação subjacente, e é muito mais difícil conter esse processo depois que ele se consolida. Por isso, afirmou Nagel, é impossível simplesmente ignorar os acontecimentos atuais. A presidente do BCE, Christine Lagarde, fez observação semelhante ontem, identificando essa mesma questão como uma das principais ameaças à economia.

No mesmo dia, o FMI apoiou essa abordagem. A instituição defendeu um aperto monetário adicional para conter o choque inflacionário e projetou um aumento acumulado de 50 pontos-base nos juros ao longo deste ano — ou seja, mais uma elevação de 25 pontos-base após a decisão de junho. Essa projeção está alinhada com o que o mercado já precifica atualmente: uma segunda alta é esperada para setembro.

Nem todos os membros do Conselho do BCE, porém, compartilham da mesma postura agressiva. O representante da Eslovênia, Klemen Dolenc, afirmou que a alta de junho é suficiente por enquanto e permitirá ao BCE avaliar o cenário mais amplo nas próximas reuniões. Trata-se de uma postura mais cautelosa, que reflete o verdadeiro dilema enfrentado pela autoridade monetária: inflação acima de 3%, desaceleração da atividade econômica e contração do PIB no primeiro trimestre.

Para o euro, o tom mais agressivo adotado por Nagel, combinado com o apoio do FMI, cria um pano de fundo moderadamente positivo. Caso a reunião de julho resulte em uma segunda alta dos juros, o diferencial de taxas entre a zona do euro e os Estados Unidos diminuirá, fortalecendo o argumento favorável ao euro frente ao dólar no médio prazo.

No entanto, tudo isso dependerá da reabertura do Estreito de Ormuz nos próximos dias. Caso um acordo de paz restabeleça plenamente o tráfego marítimo na região, a narrativa favorável ao aperto monetário poderá perder força muito mais rapidamente do que o FMI atualmente prevê.

Do ponto de vista técnico, o cenário para o EUR/USD sugere que os compradores devem concentrar esforços na superação do nível de 1,1580. Esse movimento abriria espaço para um teste de 1,1615. A partir daí, o par poderia avançar até 1,1645, embora uma continuação acima desse nível provavelmente exija o apoio dos grandes participantes do mercado. O objetivo mais distante permanece na máxima próxima de 1,1665.

No lado da baixa, apenas um interesse comprador consistente na região de 1,1555 deverá atrair uma atuação mais relevante dos compradores institucionais. Caso esse suporte não se sustente, o mais prudente será aguardar uma nova mínima em 1,1530 ou considerar compras apenas na região de 1,1505.