"É preciso aproveitar o momento." O ditado descreve bem a reação do EUR/USD às negociações entre os EUA e a República Islâmica. Teerã inicialmente abandonou as conversações, mas depois passou a relatar "progressos significativos" no diálogo. O levantamento das sanções sobre as exportações de petróleo iraniano e o desbloqueio de ativos parecem representar ganhos concretos para o país. O prêmio de risco geopolítico embutido no petróleo está desaparecendo rapidamente e, com ele, o equilíbrio de forças no mercado cambial também está mudando. Se antes o dólar se beneficiava da geopolítica, agora ele encontra apoio nos bancos centrais.
A queda dos preços do petróleo deu ao Fed mais margem de manobra, ao mesmo tempo em que retirou dos demais bancos centrais um de seus principais argumentos em favor do aperto monetário: a inflação. O HSBC acredita que a ausência de sinais claros de desaceleração inflacionária e a crescente atenção dedicada aos preços reforçam o cenário de uma alta de juros pelo Fed. Isso, por sua vez, favorece o dólar americano por meio do diferencial de rendimentos dos títulos. As expectativas do mercado em relação a um aperto monetário adicional nos Estados Unidos continuam aumentando, enquanto as expectativas de novas medidas restritivas em outras economias diminuíram após a recente queda dos preços do petróleo.
Os números confirmam essa mudança de sentimento. O mercado de futuros já precifica quase integralmente um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa dos Fed Funds em setembro. Será isso suficiente para sustentar uma nova queda do EUR/USD? A resposta dependerá das próximas ações do Federal Reserve.
Probabilidades de um aumento da taxa de juros pelo Fed
O Banco Central Europeu (BCE) já elevou as taxas de juros — em junho, pela primeira vez desde 2023. A instituição afirma que a guerra no Irã fez com que a inflação deixasse de ser apenas uma questão ligada à energia. O membro do Conselho do BCE, José Luis Escrivá, alertou que o regulador deve monitorar de perto o repasse da alta dos preços do petróleo e de outras commodities para os salários. O mercado de trabalho da zona do euro aguarda com apreensão os primeiros sinais desse processo.
No entanto, uma única alta de juros não foi suficiente para garantir a vitória do euro. O Bank of America continua mantendo uma posição taticamente vendida em EUR/USD. Na visão da instituição, o euro não se beneficiou da narrativa mais hawkish do BCE, e os próximos movimentos da moeda dependerão da persistência da inflação e da postura do Federal Reserve (Fed). O diferencial de juros reais continua sendo um indicador particularmente relevante — e, até o momento, ele não favorece a moeda europeia.
Se o Fed agora possui duas cartas fortes na mesa — aceleração da inflação e redução do prêmio de risco geopolítico — o BCE conta apenas com uma: uma nova rodada de aperto monetário. Além disso, esse cenário já está amplamente precificado pelos mercados. Enquanto o diferencial de juros reais não se inverter, o EUR/USD corre o risco de continuar refém das expectativas do mercado.
Tecnicamente, o gráfico diário mostra uma disputa em torno do nível pivô em 1,1455. Uma vitória dos otimistas e um movimento acima da máxima da barra pin em 1,1480 abririam espaço para posições compradas. Por outro lado, uma vitória dos pessimistas provavelmente significaria a continuação da tendência de baixa.