O silêncio é ouro. Essa parece ser a estratégia do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, que se recusou a revelar aos participantes do simpósio do BCE, em Portugal, se o Federal Reserve aumentará as taxas de juros em sua próxima reunião. Os mercados aceitaram a incerteza com naturalidade: os derivativos da CME estimam as chances de um aumento das taxas neste mês em menos de 30%.
Dinâmica dos índices de ações
Os principais índices acionários dos Estados Unidos fecharam sem direção única. Empresas do S&P 500 mais sensíveis ao ciclo econômico superaram as gigantes de tecnologia, à medida que o PMI industrial do ISM expandiu pelo sexto mês consecutivo.
À primeira vista, o cenário macroeconômico sustenta o otimismo dos investidores. A atividade manufatureira vem se expandindo há seis meses — um ritmo raro nos últimos anos, especialmente após o choque do petróleo. A desaceleração nos preços dos insumos reduziu parte da pressão inflacionária que, até pouco tempo atrás, fazia os traders temerem novas altas de juros pelo Federal Reserve. É assim que Wall Street responde à pergunta levantada desde o início do verão: a atual alta generalizada do mercado está excessivamente concentrada em poucos setores? Ações cíclicas normalmente são as primeiras a reagir a esse tipo de mudança, e não decepcionaram nas negociações do primeiro dia de julho.
Uma nota negativa veio dos dados da ADP. Em junho, o setor privado adicionou 98 mil empregos, abaixo dos 110 mil esperados. O mercado acionário praticamente ignorou o resultado abaixo do esperado: a divulgação ocorreu antes do principal relatório oficial de emprego do governo, e os investidores preferiram aguardar uma visão mais completa. O dado fraco serve como lembrete de que a resiliência da economia ainda precisa ser confirmada. Se o mercado de trabalho decepcionar, os argumentos a favor de um aperto monetário pelo Fed perderão força — e a recuperação cíclica do S&P 500 poderá ser colocada em dúvida.
Sazonalidade do S&P 500
A sazonalidade está do lado dos compradores. Historicamente, julho tem sido o melhor mês para o S&P 500 nas últimas duas décadas: desde 2005, o índice registrou um ganho médio de 2,5% — mais de quatro vezes o movimento médio mensal observado nos outros 11 meses. Não houve um julho negativo desde 2014.
Ainda assim, essa sazonalidade favorável contrasta com riscos fundamentais. Os efeitos da guerra com o Irã continuam impactando a inflação, aumentando a pressão sobre o Federal Reserve. A perspectiva de juros mais altos ameaça os lucros corporativos, enquanto as eleições legislativas de novembro permanecem como um fator de incerteza.
A cesta das Magnificent Seven perdeu quase 9% em junho, registrando o pior desempenho mensal desde março de 2025. O Citigroup alerta que os riscos para o grupo continuam elevados e que os fluxos vendedores estão ganhando força tanto entre as gigantes da tecnologia quanto no S&P 500 como um todo. Será que a sazonalidade favorável de julho conseguirá superar esses obstáculos?
Do ponto de vista técnico, o gráfico diário do S&P 500 mostrou uma tentativa frustrada de teste do fair value, seguida pela formação de uma vela doji. Um rompimento abaixo da mínima em 7.445 configuraria um sinal de venda. Por outro lado, uma alta acima de 7.520 abriria espaço para a ampliação das posições compradas.