Turbulência nos mercados — da queda vertiginosa do preço do petróleo na China à maior queda em um único dia da IBM e à corrida pela IA a baixo custo. Principais notícias para investidores

Esta análise aborda as novas turbulências e mudanças estratégicas que vêm moldando o cenário econômico. Em junho, a China reduziu drasticamente suas importações de petróleo bruto para o menor nível em quase dez anos, em razão da interrupção das entregas provenientes do Golfo Pérsico, da fraca demanda por combustíveis e da menor atividade das refinarias — fatores que repercutem ao longo das cadeias globais de suprimentos.

Em Wall Street, um inesperado alerta de resultados da IBM provocou a maior queda diária da história dos 115 anos da empresa, abalando todo o setor de tecnologia e expondo os riscos associados à realocação de capital corporativo.

Ao mesmo tempo, a Intel anunciou um investimento de € 5 bilhões em seu campus de Leixlip, na Irlanda, reforçando a produção de chips para inteligência artificial e ampliando a localização das cadeias de suprimentos na Europa.

Por fim, a disputa pela liderança em inteligência artificial está cada vez mais concentrada na eficiência de custos: os fornecedores vêm lançando modelos com maior eficiência no uso de tokens, enquanto os clientes corporativos exigem custos operacionais mais baixos para o uso de redes neurais. Essa tendência poderá redefinir o cenário competitivo do setor de tecnologia.

A China reduz drasticamente as importações de petróleo

Em junho, as importações chinesas de petróleo bruto despencaram para o menor nível em quase dez anos, reflexo das interrupções no fornecimento provenientes do Golfo Pérsico, da fraca demanda por combustíveis e da redução da atividade das refinarias.

Dados divulgados na terça-feira pela alfândega chinesa mostram que o país importou 29,27 milhões de toneladas de petróleo bruto no mês (cerca de 7,12 milhões de barris por dia), uma queda de 41,3% em relação ao mesmo período do ano anterior — o menor volume desde outubro de 2016. Em relação a maio, as importações recuaram mais 12%, registrando o quarto mês consecutivo de queda.

O que explica esse colapso? Além dos riscos militares em torno do Estreito de Ormuz, o fornecimento tornou-se menos confiável, enquanto os preços elevados do petróleo comprimiram as margens de refino, levando as refinarias a reduzir a utilização de sua capacidade para os menores níveis da última década.

A Bloomberg também destacou que Pequim não tem pressa em buscar fornecedores alternativos. Além disso, as restrições às exportações de derivados de petróleo, adotadas para preservar a segurança energética do país, também reduziram o interesse pelas compras de petróleo bruto.

Um contraste interessante é que a queda nas importações de petróleo não comprometeu o desempenho geral do comércio exterior chinês. O superávit comercial do país atingiu US$ 125,62 bilhões em junho, acima da expectativa de US$ 121 bilhões, enquanto as exportações continuam fortes, impulsionadas pela demanda por bens — incluindo produtos relacionados à inteligência artificial — e por preços favoráveis. A Reuters projeta um crescimento de aproximadamente 18,2% nas exportações chinesas, em valor, na comparação anual.

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A queda repentina da IBM: a maior queda em um único dia em 115 anos

Na terça-feira, as ações da IBM despencaram depois que o CEO, Arvind Krishna, divulgou um alerta preliminar sobre os resultados do segundo trimestre (Q2), que ficaram significativamente abaixo das expectativas de Wall Street. Foi a maior queda diária nos 115 anos de história da empresa.

Os números preliminares ajustados apontaram um lucro por ação (EPS) de US$ 2,93 e uma receita de US$ 17,2 bilhões, abaixo das projeções dos analistas, que estimavam US$ 3,01 por ação e US$ 17,86 bilhões em receita. Durante o pregão, as ações chegaram a cair quase 25%, eliminando dezenas de bilhões de dólares do valor de mercado da companhia.

Em sua carta aos investidores, Krishna atribuiu o desempenho abaixo do esperado a uma realocação inesperada do capital dos clientes. Segundo ele, nas últimas semanas, muitas empresas redirecionaram seus investimentos para servidores, sistemas de armazenamento e memória, a fim de garantir a entrega de equipamentos que se tornaram escassos diante da ameaça de novas tarifas e da expectativa de aumento dos preços.

"Esperávamos algum impacto das interrupções na cadeia de suprimentos, mas não uma realocação de capital tão ampla", escreveu Krishna.

As principais fragilidades também se concentraram na divisão de mainframes IBM Z e em sua plataforma de software associada, especialmente na área de processamento de transações. Krishna afirmou que o lançamento do mainframe z17 apresentou desempenho superior ao de qualquer programa anterior da história da empresa, mas reconheceu que os resultados ainda ficaram abaixo das expectativas.

A forte queda das ações da IBM abalou todo o setor de tecnologia. Segundo a Fox Business, empresas como ServiceNow, Salesforce, Microsoft, Arm Holdings, Oracle e Apple também registraram perdas após a divulgação da notícia. A apresentadora Maria Bartiromo classificou o alerta como "uma onda de choque para o setor de tecnologia".

Em contrapartida, as ações de empresas de cibersegurança dispararam. Os papéis da CrowdStrike, Fortinet e de outras companhias do segmento registraram fortes altas depois que os comentários de Krishna reforçaram que a demanda corporativa por soluções de segurança continua robusta.

O analista Abhishek Shukla, do HSBC, rebaixou a recomendação das ações da IBM de Hold (manter) para Sell (vender) e reduziu o preço-alvo de US$ 231 para US$ 191.

Ao mesmo tempo, o escritório de advocacia Ademi LLP, especializado na defesa dos interesses de acionistas, anunciou a abertura de uma investigação para apurar uma possível fraude em valores mobiliários envolvendo a IBM.

Os resultados completos do segundo trimestre e a atualização das projeções da companhia serão apresentados durante a conferência de resultados (earnings call), marcada para 22 de julho.

A Intel compromete-se a investir 5 mil milhões de euros em Leixlip

Na segunda-feira, a Intel anunciou uma nova rodada de investimentos: a empresa destinará € 5 bilhões (cerca de US$ 5,7 bilhões) à modernização e à expansão de seu complexo industrial em Leixlip, no condado de Kildare, na Irlanda. Segundo a Reuters, o projeto foi iniciado no começo deste ano, e a maior parte dos investimentos deverá ser realizada até o fim de 2027.

A iniciativa faz parte da estratégia mais ampla da Intel para ampliar sua capacidade de fabricação diante do forte crescimento da demanda por processadores voltados à inteligência artificial.

O complexo de Leixlip já abriga a Fab 34, a unidade mais avançada da Intel na Europa, responsável pela fabricação de chips com os processos Intel 4 e Intel 3, utilizando litografia EUV (ultravioleta extrema). A expectativa é que os wafers produzidos nessa unidade sejam utilizados na fabricação de CPUs, GPUs e outros componentes destinados a servidores de inteligência artificial.

O investimento complementa um acordo recente. Em abril, a Intel recomprou os 49% de participação na Fab 34 que havia vendido em 2024, desembolsando US$ 14,2 bilhões para retomar o controle total da unidade — operação que gerou US$ 3 bilhões para sua parceira, a Apollo. O diretor financeiro (CFO) da Intel, David Zinsner, afirmou que o acordo anterior proporcionou "flexibilidade significativa" e que a empresa agora conta com "um balanço patrimonial mais resiliente, maior disciplina financeira e uma estratégia de negócios atualizada".

Com isso, a Intel reforça sua estratégia de localização da produção para atender à crescente demanda por chips de inteligência artificial. A Fab 34 continua sendo uma instalação estratégica para a fabricação de chips com nós de processo avançados e litografia EUV na Europa. As operações financeiras envolvendo sua participação refletem o objetivo da empresa de acelerar seus planos estratégicos mantendo o controle integral da unidade.

A competição em IA passa a girar em torno da eficiência de custos: quem consegue reduzir as despesas com tokens?

A disputa entre os grandes modelos de IA está se transformando cada vez mais em uma corrida por eficiência. Na última semana, importantes players — OpenAI, Meta e a SpaceX AI, de Elon Musk — anunciaram novas versões de seus modelos que priorizam a eficiência no uso de tokens e a redução dos custos operacionais, em vez de simplesmente aumentar o tamanho ou a velocidade.

A OpenAI lançou o GPT-5.6, posicionando-o como um modelo capaz de realizar mais tarefas consumindo significativamente menos tokens. A SpaceX AI apresentou o Grok 4.5, descrito como tendo "o dobro da eficiência de tokens" em comparação com os concorrentes.

Em entrevista à Bloomberg, Mark Zuckerberg afirmou que o Muse Spark 1.1 terá "um preço competitivo", acrescentando que "há uma oportunidade real de oferecer inteligência de ponta, ou em níveis muito elevados, a um custo muito mais acessível".

Por que isso importa? Os clientes corporativos passaram a reclamar abertamente do aumento dos custos com inteligência artificial. "As empresas estão gastando muito mais do que antes", afirmou Gil Luria, diretor de pesquisa em tecnologia da DA Davidson. Depois de meses incentivando o uso intensivo da IA internamente — prática apelidada de token-maxing —, as empresas agora enfrentam custos inesperadamente elevados e passaram a exigir modelos mais eficientes.

Casos reais confirmam essa tendência. Gauthier Clouet, CEO da startup parisiense H Company, afirmou ter visto a fatura mensal de um executivo chegar à casa dos milhões de dólares, o que levou à adoção de limites internos e de controles mais rigorosos sobre o uso dos modelos.

O que isso significa para o mercado e para os usuários? A migração do "modelo mais poderoso" para o "modelo mais econômico" pode reorganizar a dinâmica competitiva do setor. Os clientes passarão a escolher não apenas com base no desempenho bruto, mas também na relação custo-benefício para tarefas específicas. Os fornecedores que oferecerem o melhor equilíbrio entre capacidade e custo tendem a conquistar vantagem no segmento corporativo. Para as empresas, isso representa um incentivo para revisar regras de acesso, limites de utilização e políticas internas, evitando "surpresas" na fatura.

Os instrumentos mencionados nesta análise estão disponíveis para negociação na plataforma da InstaForex. Caso deseje operá-los, abra uma conta de negociação e baixe o aplicativo móvel da empresa.