O Brent caiu mais de 7% nos primeiros minutos da sessão asiática, recuando para abaixo de US$ 90 por barril antes de reduzir as perdas e ser negociado em torno de US$ 92. O WTI para entrega em setembro caiu 8%, para US$ 82,70. O gás natural europeu também recuou. No entanto, desde o início do mês, o petróleo de referência ainda acumula alta superior a 25%, à medida que as hostilidades no Oriente Médio se espalharam para o Mar Vermelho e os houthis, apoiados pelo Irã, ameaçaram bloquear os portos sauditas.
A queda de hoje foi provocada por uma pausa nos ataques entre os EUA e o Irã, o que aliviou as tensões no conflito de cinco meses. Após 13 dias de ataques contínuos contra o Irã, os EUA suspenderam suas ofensivas na noite de sexta-feira, levantando dúvidas sobre qual será o próximo passo do presidente Trump. O exército iraniano, por sua vez, afirmou que Teerã também suspendeu suas ações retaliatórias. Vale destacar que, pouco antes da pausa, Trump admitiu a possibilidade de intensificar as ofensivas, reiterando sua conhecida postura de ameaça de escalada e, em entrevista à Axios na semana passada, afirmou que considerava um "ataque massivo".
Há cenários tanto positivos quanto negativos para a trajetória futura dos preços. A pausa nos ataques e os relatos de avanços nas negociações aumentaram as expectativas de que um caminho para a desescalada esteja voltando a se formar, o que poderia levar à normalização dos fluxos. No entanto, há também riscos relevantes. Todas as questões centrais — incluindo o controle iraniano sobre o estreito e seus programas de mísseis e nuclear — permanecem sem solução, e existe um alto risco de que qualquer cessar-fogo seja apenas temporário.
Os houthis no Iêmen afirmaram ter atacado instalações da Saudi Aramco nas cidades portuárias de Jizan e Yanbu, no Mar Vermelho, no sábado. No entanto, nem Riad nem a empresa confirmaram essas informações.
Dados sobre o tráfego marítimo efetivo confirmam que os armadores continuam extremamente cautelosos, apesar da pausa anunciada. O trânsito pelos principais estreitos marítimos ainda permanece significativamente abaixo do normal. Apenas oito navios de carga, principalmente pequenos petroleiros de derivados, passaram pelo Estreito de Hormuz no domingo.
A televisão estatal iraniana informou que seis embarcações que tentavam utilizar a rota sul pelo estreito, ao longo da costa de Omã, foram impedidas de prosseguir.
No que diz respeito ao panorama técnico atual do petróleo, os compradores precisam superar a resistência mais próxima, em US$ 86,67. Isso permitiria atingir a meta de US$ 92,54, acima da qual seria bastante difícil romper. O alvo mais distante poderia ser a faixa de US$ 100,00. Caso o petróleo caia, os vendedores tentarão assumir o controle do nível de US$ 81,38. Se forem bem-sucedidos, romper essa faixa representaria um duro golpe para as posições dos compradores e levaria o petróleo a uma mínima de US$ 78,70, com a possibilidade de atingir US$ 76,30.