Ontem, os índices de ações dos EUA encerraram o dia com resultados mistos. O S&P 500 subiu 0,02%, enquanto o Nasdaq 100 caiu 0,18%. O Dow Jones Industrial Average registrou alta de 0,51%.
Após o fechamento dos mercados, porém, os futuros passaram por uma forte liquidação que se estendeu até esta terça-feira. O índice MSCI Asia Pacific despencou até 3,6%, atingindo o menor nível desde maio e aproximando-se de território de correção técnica. O KOSPI, da Coreia do Sul, liderou as perdas na região, com queda de 11%, sendo negociado mais de 30% abaixo de seu pico, em meio ao aprofundamento da liquidação no setor de semicondutores. SK Hynix e Samsung Electronics recuaram 13% cada.
O Brent deu continuidade à queda de segunda-feira — a maior em mais de três meses —, recuando mais 0,6%, para cerca de US$ 87,80 por barril. Os Treasuries se valorizaram pelo segundo pregão consecutivo, levando o rendimento do título de 10 anos a cair dois pontos-base, para 4,63%.
Claramente, a ganância deu lugar ao medo entre as ações de fabricantes de chips ligadas à inteligência artificial. Os investidores passaram a interpretar qualquer manchete de forma negativa e a utilizá-la como pretexto para vender, em vez de avaliar seus reais impactos sobre os fundamentos. A liquidação no setor de semicondutores reflete a confluência de diversos fatores preocupantes. Uma nova rodada de acordos da Nvidia, somando mais de US$ 750 bilhões, alimentou temores de que a demanda por inteligência artificial esteja sendo artificialmente inflada por meio de transações circulares. Um relatório do The Information informando que uma empresa chinesa ligada ao Estado iniciou a produção em massa de equipamentos de litografia por imersão em ultravioleta profundo (deep-UV) aumentou ainda mais a apreensão. Os investidores ainda não estão prontos para descartar as preocupações com o setor de IA: a mais recente liquidação das ações de semicondutores mostra que as dúvidas em torno dos gastos, do retorno sobre os investimentos e dos valuations estão se aprofundando, e não diminuindo.
A forte queda das ações de semicondutores elevou significativamente a expectativa para uma semana repleta de eventos importantes. Estão previstas as decisões de política monetária do Federal Reserve, do Banco do Japão (BoJ) e do Banco da Inglaterra (BoE), além da divulgação dos resultados de gigantes da tecnologia. Microsoft, Meta, Apple e Amazon publicarão seus balanços ao longo da semana. Ao mesmo tempo, os desdobramentos geopolíticos e a evolução dos preços do petróleo deverão continuar sendo os principais fatores de incerteza para os mercados.
Do ponto de vista técnico, a análise do S&P 500 indica que o objetivo imediato dos compradores é romper a resistência em 7.404 pontos. Esse movimento confirmaria a continuidade da tendência de alta e abriria espaço para um avanço até 7.427 pontos. Caso o índice se mantenha acima de 7.451 pontos, a posição dos compradores será ainda mais fortalecida. No lado negativo, os compradores precisam defender o suporte em 7.381 pontos. Um rompimento abaixo desse nível provavelmente levará o índice de volta aos 7.355 pontos, abrindo caminho para uma queda até 7.339 pontos.