Na quinta-feira, o ouro (XAU/USD) tenta manter um viés positivo após o enfraquecimento do dólar americano na quarta-feira, na esteira da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC). No entanto, em meio ao recrudescimento do confronto entre Washington e Teerã, o dólar volta a ganhar força.
Outro fator que sustenta a moeda americana é o aumento dos riscos inflacionários decorrentes da crise no Oriente Médio. Esses riscos elevaram as expectativas de que o Federal Reserve possa promover um aperto adicional da política monetária, reduzindo a atratividade do metal precioso. Como amplamente esperado, o Fed manteve a taxa básica de juros inalterada ao término de sua reunião de dois dias, na quarta-feira.
Ainda assim, o banco central evitou sinalizar uma postura mais agressiva, o que inicialmente pressionou o dólar e levou o ouro ao seu maior nível da semana. Vale destacar que a decisão de manter os juros inalterados contou com três votos dissidentes de membros do comitê que defendiam uma alta de 25 pontos-base.
O mercado continua precificando pelo menos mais um aumento de juros antes do fim do ano, refletindo as rápidas mudanças nas perspectivas para a inflação em meio à maior volatilidade dos preços do petróleo.
Como resultado, os metais preciosos seguem pressionados pela retórica hawkish do Federal Reserve, enquanto a retomada da alta dos preços da energia tende a reforçar essa tendência.
A combinação entre expectativas de uma política monetária mais restritiva e a elevação dos preços da energia continua colocando o ouro e o setor de metais preciosos em uma posição desfavorável, reforçando o atual viés baixista.
O principal fator por trás da alta dos preços do petróleo continua sendo o recrudescimento do confronto entre os Estados Unidos e o Irã, incluindo o aumento das tensões nas estratégicas rotas marítimas do Estreito de Ormuz e do Estreito de Bab el-Mandeb. Washington lançou ataques contra o Irã em resposta aos inesperados ataques com mísseis de Teerã contra militares norte-americanos no Oriente Médio, ocorridos na terça-feira.
Ao mesmo tempo, ataques conjuntos dos Estados Unidos e da Arábia Saudita contra grupos armados pró-Irã no Iraque elevaram o risco de que o conflito se amplie para um confronto regional de maiores proporções. Além disso, relatos indicam que o movimento Houthi, apoiado pelo Irã no Iêmen, está considerando impor taxas de trânsito a embarcações comerciais que cruzem o sul do Mar Vermelho.
Hoje, os investidores deverão concentrar a atenção na divulgação de importantes indicadores macroeconômicos dos Estados Unidos, incluindo a estimativa preliminar do PIB do segundo trimestre e o Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE). A expectativa é que esses relatórios forneçam sinais importantes sobre a futura trajetória da política monetária do Federal Reserve, influenciando a direção do dólar americano e proporcionando um novo impulso aos preços do ouro.
Do ponto de vista técnico, o ouro continua em uma fase de consolidação baixista. Os indicadores de momentum continuam apontando para uma tendência de queda, sugerindo que o caminho de menor resistência permanece voltado para baixo.