O petróleo bruto Brent registrou hoje uma queda de até 7,3%, após os contratos futuros terem subido quase um quarto em julho, marcando o maior ganho mensal desde março. O WTI caiu para menos de US$ 80. O gatilho para essa queda foi a declaração do presidente Trump, no domingo, de que havia cancelado um ataque em grande escala contra o Irã depois que aliados do Oriente Médio, incluindo a Arábia Saudita, o instaram a buscar um acordo em vez disso.
O líder norte-americano deixou clara a condição de sua decisão. Ele afirmou que concordou em cancelar o ataque, desde que um acordo fosse rapidamente alcançado para restabelecer as operações no Estreito de Hormuz.
Essa queda reflete claramente o alívio por se ter evitado uma nova escalada. O movimento parece ter sido impulsionado, em grande parte, pela cobertura de posições vendidas (short covering) em meio à redução dos prêmios de risco geopolítico. Contudo, é improvável que os preços do petróleo recuem de forma sustentada sem um acordo que restabeleça condições normais de navegação pelo Estreito de Hormuz.
A volatilidade do mês passado foi excepcional. O Brent oscilou dentro de uma faixa de cerca de US$ 32 em julho, quando os combates recomeçaram após o colapso do cessar-fogo de junho, o conflito se espalhou para o Mar Vermelho e a Jordânia, e outra trégua, no fim de julho — destinada a dar uma oportunidade à diplomacia — voltou a ser rompida. O gás natural europeu chegou a cair 6,3% no início da sessão asiática, refletindo o mesmo movimento de alívio.
Ainda assim, a queda dos preços do petróleo perdeu força depois que a Maritime and Coastguard Agency do Reino Unido informou que um petroleiro na costa de Omã registrou uma explosão nas proximidades. O episódio serviu como lembrete dos riscos persistentes para a navegação pelo Estreito de Hormuz.
Muitos especialistas observam que, em meio à persistente incerteza, os produtores do Golfo Pérsico continuam buscando rotas alternativas de exportação. Turquia e Iraque concordaram em prorrogar por mais um ano o acordo relativo ao oleoduto, que havia expirado, permitindo exportações de até 750.000 barris por dia, informou ontem o Ministério do Petróleo do Iraque. A medida faz parte de uma estratégia regional mais ampla de diversificação das rotas de abastecimento para contornar o estreito bloqueado.
Outro sinal de que o mercado espera uma eventual normalização do conflito veio da decisão da OPEP+. Os principais países da aliança aprovaram um leve aumento nas cotas de produção, o que concluirá a recomposição teórica da oferta suspensa em 2023 e dará aos produtores margem para ampliar ainda mais a produção quando a guerra no Oriente Médio chegar ao fim.
Quanto ao panorama técnico do petróleo, os compradores precisam romper a resistência mais próxima, em US$ 80,51. Isso abriria espaço para um avanço em direção a US$ 83,56, nível cuja superação tende a ser mais difícil. O próximo objetivo dos compradores estaria na região de US$ 86,67.
Em caso de queda dos preços, os vendedores tentarão assumir o controle na região de US$ 78,70. Se conseguirem romper esse nível, isso poderá representar um duro golpe para os compradores e levar o petróleo até o suporte de US$ 76,30, com potencial de queda adicional até US$ 73,80.