A calmaria antes da tempestade pode ser enganosa. Os mercados acionários dos Estados Unidos estão sentindo isso na prática: após atingir uma máxima histórica na terça-feira, o S&P 500 recuou pelo segundo dia consecutivo, perdendo 0,2%, enquanto o Nasdaq 100, com forte concentração de empresas de tecnologia, caiu 0,4%, afastando-se das máximas recentes.
O motivo não é apenas o cansaço após uma rápida alta. O petróleo disparou em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio, alimentando preocupações com a inflação às vésperas da divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos (Nonfarm Payrolls – NFP) na sexta-feira. Segundo informações da imprensa, Irã e Omã estão próximos de um acordo para retomar a navegação pelo Estreito de Ormuz, mas os detalhes são preocupantes. De acordo com a mídia local, Teerã pretende proibir a passagem de embarcações dos Estados Unidos e de Israel, além de exigir compensações das nações consideradas "hostis" antes de autorizar sua travessia. Ao mesmo tempo, a agência iraniana Fars informou sobre ataques navais contra alvos próximos à entrada do estreito. Desescalada no papel e escalada na prática: os mercados não sabem em que acreditar e preferem precificar o pior cenário.
Para agravar ainda mais esse ambiente de incerteza, o Federal Reserve também contribui para a cautela dos investidores. A diretora do Fed, Lisa Cook, normalmente vista como menos inclinada a defender juros elevados, sinalizou que está preparada para elevar as taxas de juros caso a inflação deixe de desacelerar. Segundo o Macquarie Group, isso pode indicar que até mesmo o presidente do Fed, Kevin Warsh, inicialmente visto como favorável a uma política monetária mais branda, poderá ser forçado a adotar uma postura mais restritiva, possivelmente já em outubro. O mercado de contratos futuros vem incorporando essa possibilidade de forma cada vez mais intensa.
Tendência dos pedidos iniciais de seguro-desemprego
Os dados macroeconômicos forneceram poucos indícios até o momento. Os pedidos iniciais de seguro-desemprego permaneceram abaixo de 200 mil pela terceira semana consecutiva, reforçando a resiliência do mercado de trabalho, enquanto a produtividade no segundo trimestre acelerou de forma significativamente superior ao esperado. Economistas consultados pela Bloomberg esperam que o relatório de sexta-feira mostre a criação de 80 mil empregos, após os modestos 57 mil registrados em junho — um resultado que, segundo estrategistas, precisa ficar "nem muito forte, nem muito fraco" para satisfazer tanto compradores quanto vendedores no S&P 500.
Na prática, esta sexta-feira será decisiva para a trajetória de curto prazo do principal índice acionário americano. Um resultado muito forte para o mercado de trabalho reacenderá as expectativas de uma nova alta de juros e de um aperto adicional da política monetária pelo Federal Reserve, enquanto um resultado muito fraco voltará a alimentar os temores de recessão e reduzirá o apetite global por ativos de risco. Após semanas de fortes ganhos, o S&P 500 simplesmente não pode decepcionar os investidores: qualquer tropeço poderá desencadear uma onda generalizada de realização de lucros.
Será que o índice geral de ações vai manter a calma até o relatório crucial de empregos de julho, ou será que a tempestade vai se abater antes disso?
Tecnicamente, o gráfico diário mostra que o índice S&P 500 está recuando em relação às máximas históricas. O nível de pivô em 7.730 tornou-se uma linha vermelha. Um retorno acima desse nível permitiria que os otimistas aumentassem suas posições compradas. Se isso não acontecer, seria um motivo para vender.