A calma antes da tempestade é como se descreve uma tranquilidade enganosa que precede o tumulto. O Bitcoin permanece preso em uma faixa estreita pelo segundo mês consecutivo e, à primeira vista, parece que o mercado fez uma pausa. No entanto, sob a superfície da consolidação do BTC/USD, há uma história bem menos benigna.
Os ETFs de Bitcoin registraram saídas de US$ 389,7 milhões na semana encerrada em 10 de agosto — a maior desde o final de junho. Uma semana antes, os investidores haviam aportado US$ 853,5 milhões em ETFs, e o início do mês registrou a maior entrada semanal desde abril. Naquela ocasião, o hack das carteiras frias da Coldcard fez alguns investidores relembrar as vantagens dos produtos negociados em bolsa em relação à posse direta de tokens.
Dinâmica dos fluxos de capital para os ETFs de BitcoinNa realidade, esse fluxo de entrada parece ter sido uma anomalia. O sentimento institucional permanece cauteloso, senão pessimista. O Bitcoin tem se mantido próximo da marca de US$ 63.000 — quase a metade da máxima de outubro, acima de US$ 125.000. O risco de novas altas das taxas de juros e o impasse em torno do Clarity Act no Congresso, que visa proporcionar ao mercado cripto um quadro regulatório claro, estão afastando os compradores.
No entanto, não é só o Bitcoin que parece cansado. O índice de tokens de menor capitalização caiu mais de 40% neste ano, enquanto Dogecoin, Solana e ADA perderam cerca de metade de seu valor. Desde o início do ano, cerca de US$ 4,7 bilhões saíram de ETFs de Bitcoin, e aproximadamente US$ 1,5 bilhão, de fundos de Ether. Segundo a CoinMarketCap, o mercado cripto como um todo perdeu cerca de US$ 1 trilhão em capitalização.
Ao mesmo tempo, o fervor especulativo do varejo que antes impulsionava toda a classe de ativos diminuiu significativamente. Os investidores estão cada vez mais direcionando seu dinheiro para apostas esportivas, mercados de previsão e negócios relacionados à inteligência artificial. A economia dos pequenos fundos de criptoativos está desmoronando: os custos de lançamento de produtos já não se justificam diante da demanda, e as gestoras estão encerrando esses produtos um após o outro — não apenas os voltados para altcoins, mas também os de Bitcoin e Ethereum.
Enquanto isso, o índice de volatilidade do Bitcoin caiu para 37 pontos — bem abaixo da média anual e cerca de metade do pico de fevereiro, de 82,2. Formalmente, isso é um sinal de calma. Na realidade, a baixa volatilidade em meio a saídas contínuas de capital é mais preocupante do que tranquilizadora: o mercado não tanto encontrou um equilíbrio quanto perdeu o interesse.
Wall Street construiu uma estrutura para canalizar as criptomoedas para o sistema financeiro tradicional, mas a maior parte do dinheiro continua concentrada nos ativos de maior capitalização, deixando os tokens de nicho de lado. Será que as saídas dos ETFs levarão o BTC/USD a romper para baixo o limite da consolidação? O mercado ainda não está pronto para dar uma resposta clara.
Tecnicamente, no gráfico diário, o BTC/USD está se movendo a partir do limite inferior da faixa de negociação, em US$ 62.500, em direção ao limite superior, em US$ 65.500. Somente um rompimento para fora dessa faixa de consolidação poderá fornecer uma base para a abertura de posições compradas ou vendidas.