O par NZD/USD recuou das máximas em torno de 0,6000 após a divulgação de dados fracos de vendas no varejo do segundo trimestre, que caíram inesperadamente 0,5%. No entanto, o quadro fundamental permanece complexo: a queda da demanda no varejo é impulsionada principalmente por um choque nos preços dos combustíveis, e não por um colapso do consumo doméstico, enquanto o mercado praticamente já precifica integralmente um aumento da taxa do Reserve Bank of New Zealand (RBNZ) em 2 de setembro. O petróleo Brent continua acima de US$ 91 por barril em meio à escalada das tensões no Golfo Pérsico, que seguem representando riscos inflacionários.
Dados do Statistics NZ, publicados em 24 de agosto, mostraram uma queda inesperada de 0,5% nas vendas no varejo no segundo trimestre, marcando a primeira retração trimestral em quase dois anos. Contudo, é importante entender a composição dessa queda, que é explicada principalmente por uma redução de 13% nas vendas de combustíveis (à medida que os motoristas reduziram seus gastos) e pela queda no fluxo de turistas.
Essa queda (na gasolina e no turismo) era esperada, embora tenha sido maior do que o previsto; ainda assim, o crescimento contínuo nas categorias principais (excluindo combustíveis e veículos) indica que a demanda interna mantém certa resiliência.
A situação no Golfo Pérsico continua crítica para a economia da Nova Zelândia. O Brent segue negociado acima de US$ 91 por barril, com o trânsito efetivamente bloqueado. O Irã ameaçou que "nem uma gota de petróleo será exportada, nem pelo Estreito de Hormuz nem por qualquer ponto do Golfo Pérsico", enquanto os EUA impõem novas sanções ao Irã. Para a Nova Zelândia, que depende de importações para 60% de seu combustível por essa rota, as consequências são claras — o déficit comercial em julho subiu para US$ 1,9 bilhão, em grande parte devido a um aumento de 127% nos custos de importação de petróleo.
Apesar das vendas no varejo fracas, o mercado precifica quase 95% de probabilidade de um aumento de 25 pontos-base na OCR para 2,75% na reunião de 2 de setembro. A inflação permanece acima da meta, com o IPC anual em 4,1%, excedendo significativamente a faixa‑alvo de 1–3%, enquanto as expectativas de inflação seguem elevadas e o choque nos combustíveis persiste. Segundo o RBNZ, o nível neutro da OCR situa‑se entre 2,20% e 4,10%, e a taxa atual de 2,50% está no limite inferior, deixando espaço para aperto.
O posicionamento especulativo continua a se deslocar a favor do kiwi, com a posição líquida curta diminuindo para -1,82 bilhão na semana de reporte, o que sugere novo crescimento do NZD/USD.
Na semana passada, vimos potencial de alta em direção ao nível de resistência de 0,5985/90; esse alvo foi atingido, e os touros estão ganhando força para um último avanço. Esperamos que o movimento de alta continue, com o próximo alvo sendo a máxima anual de 0,6088.
Os riscos conhecidos permanecem: o aumento da demanda pelo dólar como ativo de segurança em meio à intensificação das ameaças geopolíticas, bem como o discurso de Warsh em Jackson Hole, que poderá assumir um tom hawkish e alterar as expectativas do mercado em relação às projeções de juros do Federal Reserve. Nesse cenário, o kiwi poderá cair para 0,5845 (SMA de 200 períodos), mas consideramos essa possibilidade improvável.