Confie, mas verifique. Esse princípio é mais relevante do que nunca no mercado Forex. Há três dias, os investidores vêm analisando minuciosamente o discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, em Jackson Hole, tentando entender o que era uma posição efetiva e o que era apenas retórica. O resultado é que o par EUR/USD permaneceu estagnado em torno da marca de 1,16, sem conseguir subir ou cair.
Dinâmi mensal do dóalr norte-americano
O dólar recebeu apoio de três fatores. Primeiro, pela escalada do conflito no Oriente Médio: forças dos EUA atacaram uma ilha no Estreito de Ormuz, e o Irã respondeu com ataques aos Emirados Árabes Unidos e à Jordânia — foi a primeira troca direta de ataques entre as partes em um mês. Segundo, o salto nos preços do petróleo associado ao conflito alimenta as expectativas de inflação. Terceiro, pelo aumento dos riscos políticos na Alemanha: o slogan da AfD, "Vamos fazer história juntos", repercute em comícios na Saxônia-Anhalt, onde, em 6 de setembro, o país corre o risco de ter seu primeiro governo de extrema direita desde a guerra.
Contudo, o euro tem seu próprio trunfo. A inflação na zona do euro acelerou de 2,9% para 3,3% em termos anuais em agosto — um novo pico cíclico, impulsionado principalmente pelos preços de energia. A inflação subjacente, em contraste, recuou de 2,5% para 2,4%, enquanto a inflação de serviços desacelerou de 3,3% para 3,0%. Segundo especialistas da Bloomberg, o BCE deve continuar elevando os juros em ritmo trimestral, com o próximo movimento potencialmente ocorrendo na reunião de setembro.
Dinâmica da inflação europeia
Enquanto isso, o Fed não tem pressa. O Morgan Stanley acredita que os dados divulgados antes da reunião do FOMC de setembro confirmarão a trajetória da inflação subjacente em direção à meta de 2%. Isso significa que não haverá aumento da taxa dos Fed Funds. O Goldman Sachs atribui o verão difícil do dólar americano à imprevisibilidade política: intervenções direcionadas nos mercados de ienes e de títulos do Tesouro mostraram a disposição do Fed de sacrificar a força do dólar em apoio a outros ativos, enquanto a falta de transparência na função de reação do regulador apenas aumentou a pressão.
Assim, o dólar americano e o euro estão sendo puxados em direções diferentes por vários fatores conflitantes, e nenhum deles está conseguindo uma vitória clara neste momento. Na verdade, o par permanece equilibrado entre questões geopolíticas e dados macroeconômicos até que ambos os lados recebam sinais mais claros de seus respectivos reguladores.
Quem vai ceder primeiro? O dólar americano, sob o peso de sua própria incerteza, ou o euro, sob o peso dos preços do petróleo e da política alemã? Ainda não há uma resposta definitiva.
Tecnicamente, no gráfico diário, o par EUR/USD apresenta uma retração da barra de 20–80, seguida pela conclusão do avanço dos touros e pelo retorno da iniciativa aos ursos. A incapacidade do euro de se manter nos níveis de resistência dos pontos de pivô de 1,161 e 1,1595 sinaliza fraqueza da moeda regional e constitui um argumento para sua venda. Os níveis-alvo estão fixados em 1,154 e 1,147.