Ouro reage às tentativas frustradas do Tesouro

O ouro continua enfrentando dificuldades e não consegue romper acima do nível de US$ 4.425. A prata permanece praticamente inalterada, em torno de US$ 67,32, após avançar 2,4% no dia anterior. A platina caiu, enquanto o paládio ficou estável.

Do ponto de vista técnico, o metal está exatamente entre as médias móveis de 100 e 200 dias, e essa posição reflete com precisão as condições do mercado. Desde o repique de julho, a partir de aproximadamente US$ 4.000, o ouro vem sendo negociado em uma faixa em torno de US$ 4.400, enquanto os traders reavaliam repetidamente as expectativas em relação à política do Federal Reserve, sem chegar a uma conclusão sustentada.

O principal evento para o metal, no entanto, não foi um indicador macroeconômico, mas o fracasso de mais uma tentativa do Tesouro dos EUA de acalmar o mercado de títulos. O plano do governo de comprar até US$ 6 bilhões em títulos de longo prazo não impressionou os investidores, e os rendimentos dos Treasuries de dez anos subiram. É justo dizer que, imediatamente após o anúncio, o ouro recuou para US$ 4.370, mas os compradores rapidamente voltaram a prevalecer.

Esta já é a terceira versão do programa: em agosto, os limites foram dobrados de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões, produzindo um efeito de curta duração; agora, o aumento para US$ 6 bilhões não produziu efeito algum. Surge uma curiosa dualidade que o mercado ainda está assimilando. A alta dos rendimentos é, formalmente, negativa para um ativo que não gera rendimento, como o ouro, e o metal reagiu dessa forma durante o pregão. No entanto, o fracasso sinaliza que o Tesouro não consegue direcionar os rendimentos dos títulos de longo prazo por meio de recompras técnicas, o que, por sua vez, alimenta a narrativa de desvalorização monetária que levou o ouro às máximas de agosto. O mesmo episódio atua contra o metal no horizonte diário e a favor dele no horizonte mensal.

O cenário geopolítico permanece tenso e pesa sobre o ouro por meio de um canal já conhecido. O Brent atingiu US$ 100 por barril pela primeira vez desde julho, e o Irã afirmou que intensificará o conflito caso os EUA continuem realizando ataques contra seu território e sua infraestrutura. A guerra entrou agora em seu sétimo mês, sem sinais de arrefecimento, elevando o risco de novas interrupções no fornecimento de energia e, consequentemente, das expectativas de inflação.

Os vencedores do cenário atual são os investidores que compram ouro não por causa de uma única decisão do Fed, mas como proteção contra riscos estruturais. Isso explica por que grandes gestores de ativos vêm reconstruindo suas posições em ouro nas últimas semanas. Os perdedores são os traders que tentam prever a direção do preço dentro da faixa — cada novo sinal é explorado pelo mercado e depois desaparece em questão de algumas sessões.

Em relação ao cenário técnico, os compradores precisam recuperar a resistência mais próxima, em US$ 4.425. Isso abriria caminho para um alvo em US$ 4.480, acima do qual um rompimento se tornaria difícil. O alvo mais distante está próximo de US$ 4.540.

Se o ouro cair, os ursos tentarão assumir o controle de US$ 4.372. Se conseguirem, o rompimento da faixa representará um duro golpe para os touros e levará o ouro em direção à mínima de US$ 4.304, com possibilidade de chegar a US$ 4.249.