A queda provém de duas fontes, e ambas deveriam ter favorecido o metal. Os dados de quinta-feira mostraram que o índice de preços ao produtor dos EUA subiu 0,4% em termos mensais, a maior alta desde maio, enquanto o Brent chegou perto de US$ 108 por barril, à medida que Irã e EUA se preparam para uma guerra prolongada. Nem a inflação nem a escalada militar ajudaram o ouro.
A renovada pressão sobre os preços, parcialmente provocada pelos custos de energia mais altos, intensificou os temores de que a inflação possa se tornar mais persistente. O paradoxo que hoje define toda a dinâmica do metal está nessa relação: a guerra eleva o petróleo; o petróleo acelera a inflação; a inflação aumenta as probabilidades de aperto monetário pelo Federal Reserve; e o aperto prejudica um ativo que não gera rendimento. O risco geopolítico, que durante séculos beneficiou o ouro, agora atua contra ele — e três semanas consecutivas de quedas confirmam isso.
O segundo golpe veio do mercado de dívida e merece atenção separada. Os rendimentos saltaram depois que o Tesouro dos EUA comprou menos títulos do que o esperado em sua primeira operação ampliada. Isso lançou dúvidas sobre a eficácia da intervenção não convencional de Scott Bessent, destinada a estabilizar o mercado e conter um salto nos rendimentos de longo prazo.
Surge uma questão razoável: por que o fracasso do Tesouro não favoreceu o ouro por meio da narrativa de desvalorização monetária? Estou convencido de que a resposta está no horizonte temporal: em agosto, dúvidas semelhantes sobre a capacidade de Washington de administrar a dívida elevaram o ouro em quase 15%, enquanto agora o mercado reage a um fator mais próximo e tangível — a reunião do Fed em 15–16 de setembro. O canal das taxas de juros atua mais rapidamente do que a narrativa. Além disso, as promessas do Tesouro e os volumes de compra ficaram aquém das expectativas do mercado.
Espero que o equilíbrio de forças mude a favor do metal após a reunião de setembro, e explico o motivo. Os swaps precificam uma probabilidade de aproximadamente 70% de uma alta de juros — portanto, a decisão já está em grande parte precificada —, mas o mercado ainda não assimilou completamente as consequências para o mercado de dívida, com os rendimentos dos títulos de dez anos próximos de 5%.
Minha tendência é considerar que a própria alta de juros será o ponto de virada para o ouro, seguindo a lógica de "vender no rumor, comprar no fato". O risco para essa previsão está na retórica de Kevin Warsh: se ele sinalizar não apenas uma medida pontual, mas o início de um ciclo completo de altas de juros, o metal cairá abaixo de US$ 4.200, e uma terceira semana de quedas se transformará em uma quinta semana.
Em relação ao cenário técnico atual do ouro, os compradores precisam assumir o controle da resistência mais próxima, em US$ 4.372. Isso abrirá caminho para um alvo em US$ 4.425, acima do qual um rompimento se tornará difícil. O alvo mais distante está na região de US$ 4.480.
Em caso de queda, os ursos tentarão assumir o controle de US$ 4.304. Se conseguirem, o rompimento da faixa representará um duro golpe para as posições dos touros e levará o ouro em direção à mínima de US$ 4.249, com possibilidade de estender o movimento até US$ 4.200.