Visão geral do EUR/USD. 15 de setembro. Que decisão o Fed tomará na quarta-feira?

O par EUR/USD caiu inesperadamente cerca de 60 pips na segunda-feira, antes do início da sessão dos EUA — um movimento significativo nas circunstâncias atuais para um par que vem se comportando como se estivesse "fazendo um favor" há pelo menos um mês e meio. O que poderia ter provocado a queda do euro ou, mais precisamente, a alta do dólar? Na verdade, a resposta é, ao mesmo tempo, óbvia e não tão óbvia. Na quarta-feira à noite, o Federal Reserve realizará uma reunião na qual, como o mercado vem acreditando firmemente há três meses, a taxa básica será elevada em 25 pontos-base. A maioria dos traders acredita que o Fed seguirá uma política monetária mais apertada, o que explica a alta do dólar. Mas será que a questão é realmente tão simples e inequívoca?

Para entender a situação, é preciso olhar primeiro para o Banco Central Europeu. O BCE já elevou as taxas básicas duas vezes este ano e, de modo geral, está preparado para continuar apertando a política monetária diante de uma inflação que mais que dobrou desde o início do ano. Assim, enquanto o Fed se prepara para apertar a política, o BCE já o fez duas vezes. No entanto, na última quinta-feira, o mercado praticamente ignorou a decisão do BCE, mostrando mais uma vez que hoje está interessado apenas na política do Fed. Isso é justo? Sim e não.

O fato de o mercado prestar mais atenção ao Fed não é novidade. O dólar americano continua sendo a principal moeda do mundo, e a economia dos EUA é a maior do planeta. Portanto, não é de surpreender que a política do Fed seja mais importante para o mercado do que a do BCE. Contudo, nos últimos meses, o mercado praticamente ignorou todas as medidas hawkish do BCE. Em suma: ou o dólar cai quando aparentemente não pode mais cair, ou sobe mesmo quando não parecem existir motivos fortes para isso.

Na noite de quarta-feira, o Fed poderá elevar a taxa básica de juros — mas também poderá mantê-la inalterada. É possível listar uma longa série de fatores "a favor" e "contra". Por exemplo: se a inflação não aumentou em agosto, por que ter pressa para apertar a política monetária quando Donald Trump se opõe a isso e nomeou Kevin Warsh para presidir o Fed? Ou por que elevar a taxa básica em setembro, se o Fed tinha mais motivos para apertar a política monetária em junho ou julho, mas não o fez? E quanto ao mercado de trabalho e à economia dos EUA, que estão desacelerando ainda mais, apesar de Trump querer ver justamente o contrário?

É claro que, formalmente, Warsh é independente da Casa Branca e não é obrigado a seguir as orientações de Trump. Mas será que os traders realmente acreditam que o presidente cometeria o mesmo erro duas vezes? Oito anos atrás, ele nomeou Jerome Powell para presidir o Fed na esperança de influenciar o banco central, mas isso não aconteceu: Powell não deu ouvidos à Casa Branca e conduziu uma política monetária independente. Será que alguém realmente acredita que, desta vez, Trump não tomou precauções para o caso de Warsh tentar manter sua independência em relação à Casa Branca?

A volatilidade média do par EUR/USD nos últimos cinco pregões, até 15 de setembro, foi de 47 pips, sendo classificada como "baixa". Esperamos que o par seja negociado entre 1,1502 e 1,1593 na terça-feira. O canal superior de regressão linear aponta para cima, indicando uma tendência de alta. O CCI entrou pela segunda vez na região de sobrevenda, sinalizando a possível proximidade do fim da correção de baixa. Também se formou uma divergência de alta.

Níveis de suporte mais próximos:

S1 – 1.1536

S2 – 1.1475

S3 – 1.1414

Níveis de resistência mais próximos:

R1 – 1.1597

R2 – 1.1658

R3 – 1.1719

Recomendações de negociação:

O par EUR/USD continua em uma tendência de alta no gráfico de 4 horas, o que pode representar o início de uma nova perna de uma tendência global de alta nos períodos gráficos superiores. O cenário fundamental global para o dólar continua negativo, mas, em 2026, primeiro a geopolítica e, depois, a postura mais hawkish do Fed deram forte sustentação à moeda americana. No entanto, atualmente, esses fatores já não favorecem o dólar.

Com o preço abaixo da média móvel, podem ser consideradas operações de venda no âmbito da correção, com alvos em 1,1502 e 1,1475. Acima da linha da média móvel, as posições compradas continuam sendo relevantes, com alvos em 1,1658 e 1,1719.

Explicações sobre as ilustrações:

Os canais de regressão ajudam a determinar a tendência atual. Se ambos estiverem voltados para a mesma direção, isso significa que a tendência está forte no momento;

A linha da média móvel (configurações 20,0, suavizada) define a tendência de curto prazo e a direção na qual as negociações devem ser conduzidas no momento;

Os níveis de Murray são níveis-alvo para movimentos e correções;

Os níveis de volatilidade (linhas vermelhas) representam o provável canal de preços dentro do qual o par permanecerá nas próximas 24 horas, com base nos indicadores de volatilidade atuais;

O indicador CCI – sua entrada na zona de sobrevenda (abaixo de -250) ou na zona de sobrecompra (acima de +250) indica que uma reversão da tendência na direção oposta está se aproximando.