O Bitcoin é negociado próximo de US$ 77.240, enquanto o mercado se prepara para a votação processual de hoje sobre o CLARITY Act no Senado dos EUA.
Ontem, uma coalizão bipartidária formada por 18 procuradores-gerais estaduais e pelo Distrito de Columbia, liderada pela procuradora-geral de Nova York, Letitia James, enviou uma carta ao Comitê Bancário do Senado pedindo mudanças no projeto de lei antes que ele avance. Vale destacar que a coalizão inclui republicanos, como Chris Kobach, do Kansas, e Andy Wilson, de Ohio, em um raro exemplo de autoridades estaduais de diferentes partidos se unindo em torno dos riscos da preempção federal.
A objeção dos procuradores-gerais concentra-se em uma expressão do texto do projeto de lei — a definição de "transação qualificada". Na visão da coalizão, essa redação permitiria que a SEC (Securities and Exchange Commission) se sobrepusesse às exigências estaduais de registro para transações com criptoativos, retirando, na prática, dos reguladores estaduais parte de seus instrumentos de fiscalização. Os procuradores-gerais destacam que, desde 2017, os estados obtiveram cerca de 330 medidas de fiscalização relacionadas a fraudes com criptoativos e que os americanos perderam US$ 11,4 bilhões em golpes envolvendo criptomoedas em 2025, segundo o FBI — um aumento de 22% em relação ao ano anterior. Esses números são a base de seu argumento: a autoridade dos estados seria limitada justamente em um momento em que as fraudes com criptoativos estão aumentando, e não diminuindo.
Uma nuance importante, muitas vezes ignorada nas manchetes, é que a votação de hoje é processual — uma votação de cloture para encerrar o debate — e não a aprovação final do projeto. A cloture exige 60 votos e determina apenas se o Senado dará prosseguimento à análise do projeto. Mesmo que a cloture seja aprovada, o Senado terá apenas oito dias úteis em setembro, antes das eleições de meio de mandato, para levar o projeto a uma votação final. O CLARITY foi aprovado pela Câmara em julho do ano passado e passou pelo Comitê Bancário do Senado em maio. Seu principal objetivo — distribuir a jurisdição entre a SEC e a CFTC de acordo com as diferentes categorias de ativos digitais — é uma prioridade antiga do setor, em troca de um marco regulatório federal uniforme.
É aí que está o conflito de interesses. O setor se beneficia de um único marco regulatório federal que substitua a variedade de regras estaduais, enquanto os estados perderiam parte de uma estrutura de fiscalização que levaram anos para construir.
Vale observar que, na véspera da carta dos procuradores-gerais, o presidente Trump concordou em aceitar grande parte de um pacote de ética bipartidário dos senadores Tom Tillis e Ruben Gallego, que torna mais rígidas as regras sobre conflitos de interesse relacionados a criptoativos. Uma versão revisada do texto, publicada na noite de domingo, concede aos procuradores-gerais estaduais autoridade para fiscalizar essas normas de ética e processar exchanges que permitam a negociação de ativos proibidos por lei. Essa concessão tinha como objetivo reduzir a oposição, mas os 18 procuradores-gerais afirmam que ela não resolve o problema central da preempção federal da autoridade estadual de registro.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, considera o projeto "necessário" para a liderança dos EUA na corrida tecnológica global e o relaciona ao GENIUS Act, que trata das stablecoins. Enquanto isso, alguns bancos criticaram as disposições revisadas sobre rendimento de stablecoins, argumentando que elas continuam sendo insuficientemente viáveis na prática. A disputa política, portanto, envolve tanto questões de política regulatória quanto diferentes grupos de interesse do setor.
Na minha avaliação, mesmo que os autores consigam aprovar a cloture hoje, a disputa entre a primazia federal e a autoridade estadual não desaparecerá; ela continuará moldando o debate à medida que o projeto avançar no processo legislativo. Para os mercados, isso significa que a abertura do debate não eliminará a incerteza regulatória, mas a levará para a próxima etapa, na qual os riscos para participantes institucionais e exchanges que operam em vários estados aumentarão.
O quadro técnico do Bitcoin sugere que os compradores têm como alvo um retorno aos US$ 77.900, o que abre um caminho direto para os US$ 79.400 e, em seguida, para os US$ 81.600; uma quebra acima desse nível sinalizaria tentativas de restaurar um mercado em alta. No lado negativo, a expectativa é que haja compradores nos US$ 76.700. Um movimento abaixo dessa área poderia arrastar rapidamente o BTC para US$ 75.300. Um alvo de baixa mais distante é US$ 72.800.
Do ponto de vista técnico, para o Ethereum, uma manutenção clara acima de US$ 2.551 abre caminho direto para US$ 2.625. O alvo mais distante é a máxima próxima a US$ 2.684; uma quebra acima desse nível indicaria um fortalecimento do sentimento de alta e um renovado interesse dos compradores. No lado de baixa, a expectativa é que os compradores entrem em ação em US$ 2.475; uma queda abaixo dessa área poderia empurrar o ETH em direção a US$ 2.415. O alvo de baixa mais distante é US$ 2.367.
O que vemos no gráfico:
- Linhas vermelhas indicam os níveis de suporte e resistência, nos quais se espera uma desaceleração do movimento dos preços ou uma alta mais intensa;
- Linhas verdes indicam a média móvel de 50 dias;
- Linhas azuis indicam a média móvel de 100 dias;
- Linhas verde-claras indicam a média móvel de 200 dias.
Um cruzamento, ou um teste de preço das médias móveis, normalmente interrompe o movimento ou gera um novo impulso no mercado.