Nesta quarta-feira, o ouro (XAU/USD) cai pelo terceiro dia consecutivo, atingindo uma nova mínima semanal. No entanto, os preços permanecem dentro da faixa estabelecida há duas semanas, já que os participantes do mercado preferem aguardar novos dados de inflação dos EUA antes de assumir posições direcionais mais definidas.
O relatório do índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA será divulgado ainda hoje, seguido pelo índice de preços ao produtor (PPI) na quinta-feira. Na sexta-feira, os operadores estarão atentos ao discurso do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, durante as reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, em Bangkok. Seus comentários poderão fornecer indicações adicionais sobre os rumos da política monetária do Fed e influenciar os movimentos do dólar americano e do ouro.
Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, o mercado atribui quase 90% de probabilidade a mais um aumento dos juros pelo Fed na reunião de dezembro. As expectativas de uma política monetária mais restritiva se fortaleceram após declarações de tom hawkish de membros influentes do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), que sinalizaram a possibilidade de novos aumentos dos juros antes do fim do ano, diante das persistentes pressões inflacionárias.
Os preços elevados da energia continuam representando um risco adicional para o ouro. O petróleo atingiu a máxima de duas semanas em meio a preocupações com interrupções no abastecimento decorrentes da escalada dos conflitos no Oriente Médio.
Em particular, as tensões entre os houthis, apoiados pelo Irã, e a Arábia Saudita se intensificaram. Uma coalizão liderada por Riad teria realizado ataques contra instalações de energia e depósitos de combustíveis ligados aos houthis.
As tensões entre os Estados Unidos e o Irã no Estreito de Ormuz também persistem. O Comando Central dos Estados Unidos rejeitou as alegações do comandante da Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã de que o país controla essa rota marítima estratégica, bem como as ameaças dirigidas a navios de guerra americanos. Esses acontecimentos mantêm um prêmio de risco geopolítico nos preços do petróleo e reforçam as expectativas de inflação persistente e de uma política monetária mais restritiva por parte do Fed, dificultando novas altas do ouro.
Ao mesmo tempo, o dólar americano enfrenta dificuldades para atrair novos compradores e permanece abaixo da máxima registrada em abril de 2025.
Isso oferece algum suporte ao XAU/USD. No entanto, o cenário fundamental continua desfavorável ao metal precioso e, no curto prazo, a trajetória de menor resistência continua sendo de baixa. Um rompimento decisivo para fora da faixa de negociação das últimas duas semanas poderia mudar o sentimento do mercado no curto prazo e devolver a vantagem aos compradores.
Desconsiderando a forte queda da semana passada, que levou o ouro à mínima de dois meses, o movimento atual dos preços pode ser caracterizado como uma fase de consolidação baixista após a queda desde a máxima de agosto. O ouro está sendo negociado pouco acima de US$ 4.130. Os osciladores permanecem em território negativo, confirmando a vantagem dos vendedores. Uma queda abaixo do nível psicológico de US$ 4.100 abriria caminho para a mínima de outubro, enquanto um rompimento acima da média móvel simples (SMA) de 20 dias aliviaria a pressão baixista.