Durante a sessão europeia de sexta-feira, o ouro (XAU/USD) continuou em queda, permanecendo abaixo do nível psicologicamente importante de US$ 4.000 por onça e atingindo uma nova mínima mensal, em meio às expectativas de uma postura mais *hawkish* do Federal Reserve (Fed). Os dados econômicos dos Estados Unidos divulgados na quinta-feira confirmaram a resiliência da economia e seu crescimento robusto, enquanto as pressões inflacionárias persistiram. Esse cenário reforçou as expectativas do mercado de novos aumentos das taxas de juros já em dezembro. Para o ouro, um ativo que não gera rendimentos, isso resultou em uma segunda sessão consecutiva de pressão vendedora e aumentou o risco de novas quedas.
Segundo dados preliminares, o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu a uma taxa anualizada de 3,4% no terceiro trimestre, ante 2,2% no trimestre anterior. O resultado superou a previsão consensual dos analistas, de 3,2%. Já o índice de preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE), divulgado pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos, avançou 0,5% em relação ao mês anterior e 3,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior, em setembro. O núcleo do PCE (*core PCE*), que exclui os preços de alimentos e energia, subiu 0,3% na comparação mensal e 3,1% na anual. Esses dados reforçam os argumentos favoráveis a um novo aperto da política monetária do Fed diante da persistência dos riscos inflacionários.
Ao mesmo tempo, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (*Treasuries*) recuaram de forma expressiva. Os investidores ampliaram suas compras de títulos públicos, buscando proteção em ativos considerados refúgios. Esse movimento foi impulsionado por resultados corporativos decepcionantes no setor de tecnologia, que levantaram dúvidas sobre a capacidade dos crescentes investimentos em inteligência artificial de gerar retornos adequados. Além disso, a retomada das expectativas de um acordo diplomático no Oriente Médio vem pressionando o dólar americano, tradicionalmente considerado uma moeda de refúgio. Ainda assim, esse fator não foi suficiente para alterar de forma significativa a perspectiva baixista para o ouro.
Ainda assim, os participantes do mercado permanecem cautelosos diante da escalada do conflito entre a Arábia Saudita e os houthis, apoiados pelo Irã, no Iêmen. Declarações dos Estados Unidos e de Israel sobre a possibilidade de retomada dos ataques após as eleições legislativas de meio de mandato americanas também mantêm elevado o prêmio de risco geopolítico.
Do ponto de vista técnico, o XAU/USD mantém a tendência de baixa. Os preços permanecem abaixo das principais médias móveis, enquanto os osciladores continuam em território negativo, confirmando o predomínio dos vendedores.
Em caso de recuperação corretiva, a primeira resistência significativa está na faixa entre US$ 4.025 e US$ 4.030. Um rompimento acima dessa região poderá levar ao fechamento de algumas posições vendidas e acelerar a alta do ouro em direção a US$ 4.065 e ao nível psicologicamente importante de US$ 4.100. Em conjunto, esses patamares formam uma importante zona de oferta. Para aliviar a pressão vendedora, o preço precisará se consolidar firmemente acima dessa faixa.