A lógica sugeria que os sinais *hawkish* do presidente do Banco do Japão (BoJ), Kazuo Ueda, provocariam uma forte queda do USD/JPY. De fato, o par despencou, mas depois recuperou a maior parte das perdas, enquanto o iene devolveu quase todos os ganhos frente ao dólar americano.
O BoJ manteve a taxa de juros de curto prazo em 1,25%, conforme esperado pelo mercado, com o conselho votando por oito votos a um a favor da decisão. Questionado sobre o ritmo dos próximos aumentos dos juros, Ueda afirmou que o banco central avaliará a situação a cada reunião, inclusive na próxima.
O BoJ considerou ter alcançado uma importante vitória em sua longa luta contra a deflação, como um capitão que avista terra após uma longa travessia em meio à neblina. A inflação subjacente atingiu aproximadamente 2% pela primeira vez desde 2013, quando o banco central firmou um acordo com o governo para combater a deflação. Esse avanço reforça a confiança na possibilidade de um novo aperto da política monetária.
Dinâmica da inflação em Tóquio
Os preços ao consumidor em Tóquio, excluindo alimentos frescos, subiram 2,6% em termos anuais em outubro, ante 2,7% em setembro, em linha com as previsões dos economistas.
O mercado agora atribui uma probabilidade de 75% a um aumento da taxa de juros de curto prazo (overnight) em 18 de dezembro. O Banco do Japão comprometeu-se a monitorar a crise do petróleo desencadeada pela guerra no Oriente Médio, o impacto inflacionário da desvalorização do iene e a demanda impulsionada pelo boom da inteligência artificial.
Projeções para o cronograma de aumentos da taxa de juros overnight
A decisão do Banco do Japão (BoJ) encerrou uma semana difícil para os principais bancos centrais. O Federal Reserve (Fed) e o Banco Central Europeu (BCE) também optaram por manter as taxas de juros inalteradas, apesar da persistência da inflação. Nesse contexto, o banco central japonês tinha ainda menos motivos para agir com pressa.
O BoJ elevou sua previsão de crescimento econômico para o atual ano fiscal, de 0,6% para 0,7%, embora o ritmo de expansão continue modesto. Ainda assim, os argumentos relacionados à inflação parecem suficientemente convincentes para justificar um novo aumento da taxa de juros de curto prazo na próxima reunião.
A Mizuho Securities espera que o aumento previsto para dezembro seja seguido por novas elevações da taxa em março e junho de 2027, levando-a ao nível terminal de 2%. Já a Bloomberg Economics prevê que o ciclo de aperto monetário termine no mesmo patamar, após três aumentos de 25 pontos-base, previstos para dezembro, março e julho.
A Bloomberg Economics também observa que a reafirmação da meta de inflação favorece o iene, mas os preços elevados do petróleo representam um risco para essa perspectiva do USD/JPY. O risco de uma nova escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irã após as eleições de meio de mandato impulsionou os preços do petróleo e poderá impedir que o par se beneficie plenamente do enfraquecimento do dólar americano em meio às preocupações relacionadas à inteligência artificial.
O Banco do Japão alcançou um marco significativo em sua longa luta contra a deflação. No entanto, o banco central parece tratar essa conquista com cautela, sem recorrer a declarações enfáticas.
Do ponto de vista técnico, no gráfico diário do USD/JPY, o par reagiu ao nível de valor justo de 158,15 durante a formação do padrão Deception-Breakout (falso rompimento). Esse movimento indica fraqueza dos compradores e reforça a preferência por posições vendidas, com alvos em 156,5 e 155,1.