Economia global em risco com o aquecimento do conflito comercial entre os EUA e a China.

A economia global enfrenta uma nova ameaça com o prolongado conflito comercial entre Washington e Pequim. Apesar das negociações em curso, as duas superpotências ainda não chegaram a um acordo, o que tem significativas implicações para o comércio global.

Analistas advertem que a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China pode reduzir o PIB global em 7%.

Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), se as relações comerciais entre os EUA e a China não se estabilizarem em breve, a economia global sofrerá consideravelmente. O FMI prevê que essa situação pode reduzir o PIB global em até 7%.

Especialistas do FMI preveem que mais de 3.000 novas restrições comerciais poderão ser impostas nos próximos anos. Com isso em mente, muitos países estão cada vez mais interessados em investimentos em ouro, considerando o dólar uma moeda menos confiável. O ouro é agora visto como um "ativo seguro, politicamente neutro, imune a sanções ou apreensões", enfatiza a agência.

No primeiro trimestre de 2024, os bancos centrais de todo o mundo adquiriram quase 290 toneladas de ouro, o maior nível desde 2016. Após oito anos de estabilidade com demanda moderada, o mercado de metais preciosos está em alta. Em 2023, o chamado "bloco chinês" aumentou suas reservas de ouro para 4,3%, ante 2% em 2015. Enquanto isso, as reservas de ouro do bloco americano permaneceram estáveis.

Além disso, Pequim está gradualmente reduzindo suas participações em títulos do Tesouro dos EUA e de agências, diminuindo de 44% para 30%.

O FMI também destaca a pressão sobre o sistema financeiro global em dólar. Os especialistas afirmam que os mercados emergentes estão sofrendo com um dólar forte. Ao contrário do Federal Reserve, esses países têm capacidade limitada para reduzir suas principais taxas de juros. As altas taxas estabelecidas pelo órgão regulador dos EUA estão prejudicando suas economias, pois precisam lidar com o aumento dos custos de empréstimos.

Os analistas acreditam que os países mais pobres do mundo serão os mais afetados pelo conflito entre os EUA e a China, podendo enfrentar perdas quatro vezes maiores do que outras nações. Nesse cenário, os mercados de commodities se dividirão em blocos isolados, negociando exclusivamente com a China ou com os Estados Unidos.

O FMI teme que os esforços da China para evitar uma recessão, investindo em manufatura e aumentando as exportações, possam levar a novas guerras comerciais com os Estados Unidos, a União Europeia e outros países.

Os especialistas também observam os atritos comerciais entre a UE e a China. Há uma crescente possibilidade de os países da UE voltarem ao protecionismo devido ao grande influxo de produtos chineses nos mercados europeus.