O Departamento de Justiça dos EUA chocou o mundo cripto ao realizar a maior apreensão de sua história: cerca de 127.271 Bitcoins, avaliados em quase US$ 15 bilhões, agora estão sob controle seguro do governo. A operação, digna de um filme de espionagem, está ligada ao dramático caso do empresário cambojano Chen Zhi, que, segundo investigadores, construiu um império digital alimentado por campos de trabalho forçado e fraudes em grande escala com criptomoedas.
Chen Zhi e seu Prince Holding Group — mascarados por negócios em imóveis e serviços financeiros — teriam operado centenas de call centers falsos. As vítimas eram vítimas de golpes conhecidos como “pig butchering”: conquistadas com relações de confiança para, em seguida, serem “abatidas” financeiramente em esquemas de investimento falso em criptomoedas. O processo acontecia em condições quase carcerárias, cercado por arame farpado, onde pessoas eram coagidas a operar os golpes. Chen aprovava pessoalmente métodos violentos, sempre abaixo do limiar letal, tudo em nome de “negócios feitos do jeito difícil”.
Os Bitcoins roubados foram lavados com extrema precisão: dispersos em centenas de carteiras e depois reagrupados, projetados para desaparecer do radar. Os ganhos ilícitos financiaram jatos particulares, iates de luxo e até uma obra de Pablo Picasso. Agora, todo o tesouro cripto está sujeito à confiscação, enquanto Chen continua foragido, enfrentando até 40 anos de prisão.
Ironia do destino: em março de 2025, Donald Trump assinou um decreto criando uma reserva nacional de Bitcoin composta por criptoativos apreendidos. Com esta última apreensão, o valor total da reserva atingiu impressionantes US$ 37 bilhões — um montante difícil de superar, até mesmo por um gênio do cripto como Satoshi Nakamoto.