A economia chinesa volta a percorrer um caminho conhecido — da esperança à ansiedade. Um novo relatório da Yardeni Research traça um panorama em que dívida, deflação e declínio demográfico convergem em uma tendência persistente: o crescimento desacelera, a confiança enfraquece e a expressão “estimular a demanda” soa cada vez menos convincente.
O país segue altamente dependente das exportações, enquanto as tentativas de impulsionar o consumo interno soam educadas, porém ineficazes.
Analistas observam que a China ainda “depende da demanda externa”, e o excedente de produção transborda em acusações de dumping nos mercados globais — algo que acentua as tensões com os Estados Unidos, embora já não cause surpresa.
O mercado imobiliário continua sendo o elo fraco: os preços de novas moradias caíram pelo 26º mês consecutivo, recuando 2,2% em relação ao ano anterior. Um setor que já simbolizou o sucesso chinês agora arrasta para baixo a confiança de consumidores e investidores.
As vendas no varejo avançam apenas 3%, o ritmo mais lento em um ano. Mesmo ajustado pela deflação, o crescimento é de 3,8%, ainda inferior ao da produção industrial — um paradoxo puro: o país produz mais, mas consome menos.
O Banco Popular da China tenta reacender a economia com os remédios clássicos — cortes de juros e de reservas bancárias.
Contudo, o impulso do crédito está se esgotando: o crescimento dos empréstimos caiu para 6,6%, quase metade do nível registrado há três anos.
A dívida total já soma US$ 38 trilhões, um número capaz de tirar o fôlego até dos mais serenos burocratas de Pequim. Os rendimentos dos títulos permanecem abaixo de 2%, enviando um sinal claro: a fé na recuperação ainda é frágil. O mercado acionário mostra volatilidade e otimismo contido. Embora o FTSE China tenha disparado 34,7% desde o início do ano, os principais índices locais seguem estagnados — prova de que até a estagnação pode ser seletiva.
Os investidores buscam focos de crescimento: empresas de commodities avançaram 77%, o setor de saúde subiu 67%, e o de bens de consumo, quase 50%. São segmentos que crescem mais do que a própria economia — e talvez aí resida o problema central.
A Yardeni Research conclui sem rodeios: o envelhecimento populacional, o endividamento e o baixo crescimento do crédito tornam a aposta no consumo interno quase utópica.
Pequim tentou substituir o modelo baseado em exportações por um voltado à demanda doméstica — mas, por ora, parece ter apenas trocado uma dependência por outra: a do estímulo e da esperança.