Compradores chineses vêm rejeitando ofertas para adquirir petróleo bruto venezuelano em meio às sanções impostas pelos Estados Unidos, que restringem as exportações e elevam os custos. Segundo a Bloomberg, o petróleo Merey era negociado com um desconto de cerca de US$ 13 por barril em relação ao Brent negociado na ICE, inferior ao observado há cerca de um mês, quando o desconto rondava US$ 15. Interrupções no fornecimento levaram os vendedores a elevar os preços do Merey, reduzindo sua atratividade para importadores chineses.
Historicamente, a China tem sido o maior comprador do petróleo venezuelano, utilizado principalmente na produção de betume para pavimentação de estradas. A retração da demanda chinesa adiciona pressão adicional às exportações da Venezuela, ao estreitar ainda mais os mercados disponíveis para o escoamento do produto. As sanções dos EUA contra navios que transportam petróleo venezuelano, somadas à ofensiva contra a chamada “frota sombra”, reduziram as opções de transporte e aumentaram significativamente os custos logísticos.
A recusa da China segue uma lógica econômica clara: à medida que o desconto diminui, o petróleo venezuelano perde competitividade frente a alternativas oferecidas por outros fornecedores. Para a Venezuela, a perda de seu principal comprador aprofunda a crise econômica, já marcada pela queda das receitas de exportação e pelas restrições persistentes à comercialização do petróleo.