Em 2 de abril de 2026, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou uma proposta ambiciosa para reformular o sistema de saúde do país: revogar integralmente o Affordable Care Act — conhecido como Obamacare — e substituí-lo por um modelo baseado em transferências diretas de recursos aos cidadãos.
Em publicação na rede Truth Social, Trump argumentou que o sistema atual inflaciona artificialmente os custos médicos devido ao papel das seguradoras. Segundo ele, os recursos deveriam ser direcionados diretamente aos indivíduos, sem a intermediação de empresas de seguro. A proposta integra um pacote legislativo mais amplo, denominado One, Big, Beautiful Bill Act.
Pelo plano, os americanos receberiam subsídios em contas pessoais e utilizariam esses valores para escolher e contratar planos de saúde de forma independente. Trump voltou a criticar a legislação vigente, que chamou de Unaffordable Care Act, afirmando que o novo modelo estimularia a concorrência e ampliaria o uso das contas de poupança para saúde (HSAs).
O anúncio provocou forte queda nas ações das principais seguradoras, cujos lucros dependem significativamente de programas de subsídios governamentais. Investidores também demonstraram preocupação com grandes redes de farmácias e empresas intermediárias, diante da intenção do governo de reduzir o papel dos chamados middlemen no setor farmacêutico.
A implementação da proposta foi atribuída às agências federais responsáveis pelos programas de saúde pública. Analistas alertam, no entanto, que a migração para pagamentos diretos pode representar riscos para famílias de baixa renda, caso os preços dos planos superem o valor dos subsídios. A Casa Branca, por sua vez, sustenta que a maior transparência de preços e a eliminação de intermediários tendem a reduzir os custos da saúde no longo prazo.