UBS considera satisfatória a qualidade de crédito da UE, apesar de possível rebaixamento da França

É improvável que uma eventual deterioração da classificação de crédito soberano da França comprometa a credibilidade creditícia da União Europeia (UE). Essa é a conclusão de analistas do conglomerado financeiro suíço UBS, apresentada em um relatório especial. Os especialistas ressaltam que, mesmo que a classificação da França seja rebaixada, isso não provocaria automaticamente um rebaixamento da classificação do bloco, devido à diversificação das garantias oferecidas pelos Estados-membros e às metodologias adotadas pelas agências de classificação de risco.

A avaliação do banco antecede uma revisão programada da classificação da França pela Moody’s. Atualmente, a agência atribui ao país a classificação “Aa3”, com perspectiva negativa, enquanto a S&P e a Fitch mantêm classificações “A+”, ambas com perspectivas estáveis. A própria UE, por sua vez, detém classificações de crédito elevadas: “Aaa” pela Moody’s, “AAA” pela Fitch e “AA+” pela S&P. Segundo os cálculos do UBS, a classificação soberana da França teria de cair até “Baa3”, na escala da Moody’s, ou “BBB”, na escala da S&P, para que esse rebaixamento, por si só, afetasse a qualidade de crédito da dívida da UE em uma média ponderada.

De acordo com a metodologia da Fitch, o risco direto é ainda menor, uma vez que a França já foi excluída do grupo de emissores com classificação “AAA” que sustentam a credibilidade creditícia da União. Em contrapartida, os analistas consideram a situação fiscal da Alemanha muito mais vulnerável, pois uma deterioração nesse quadro poderia comprometer a capacidade de um dos principais contribuintes de honrar as obrigações do bloco.

Os analistas consideram que a resistência política a uma integração fiscal mais profunda representa o principal desafio de longo prazo. A França tenta reduzir suas contribuições para o orçamento da UE, enquanto a Alemanha se mostra relutante em aprovar novas emissões conjuntas de dívida. Com o tempo, essas divergências poderiam limitar a expansão do mercado europeu de títulos, sem comprometer a segurança dos títulos já emitidos.