Quem está agravando a crise energética na Europa?

A crise do gás, na Europa, causada pelo Kremlin, fez os preços do gás decolarem. A superioridade do gás é uma das ferramentas favoritas de Moscou, para realizar ambições políticas. O cenário atual está perfeito para pressionar os consumidores europeus, antes de lançar o Nord Stream 2, que é um "projeto completamente comercial".

Os preços do gás subiram para novas altas no centro holandês TTF, provando que a Europa está passando por uma crise energética declarada. No final de setembro, os preços de referência do gás quase atingiram um nível alarmante, de $1.000 por metro cúbico. A retração seguinte de 5% não acalmou o nervosismo do mercado. Os preços inflados do gás causaram pânico entre os investidores e consumidores, enfrentando enormes contas a serem pagas. A maioria dos especialistas de commodities tem certeza que a Rússia é a culpada, por orquestrar e manter a falta de gás, pelo motivo óbvio que o Kremlin segue com o lançamento do Nord Stream 2. Além disso, a situação está sendo agravada, pela demanda flutuante na Ásia. Os países asiáticos está comprando, com urgência, cargas extras de gás natural liquefeito (GNL).

Citando as fontes da Bloomberg, a Gazprom, uma gigante empresa russa de gás, planeja enviar o primeiro fornecimento de gás por um dos gasodutos do Nord Stream 2, para a Alemanha, em 1 de outubro. Porém, o regulador alemão negou esses rumores. O porta-voz da Agência da Rede Alemã (Bundesnetzagentur), Fite Wulf, disse que, embora os documentos da certificação da operadora de gás, já passaram pela mesa, o regulador eventualmente aprovaria o projeto em 2 a 4 meses. A Rússia prepara-se para mais atrasos. Em uma declaração recente, o ministro das relações estrangeiras da Rússia, Sergey Lavrov, supôs que a Alemanha revelaria seu veredito no início de 2022. Além disso, ele apontou que o projeto ainda era alvo de seus oponentes.

A crise energética está sendo agravada na Europa, podendo ter surgido se a Gazprom concordasse com enviar volumes de trânsito adicionais pela Ucrânia. Sem dúvidas, a empresa estatal recusou-se a fornecer volumes maiores do que os estipulados no contrato. A rede de transmissão de gás, da Ucrânia, tem a capacidade suficiente para entregar mais de 100 bilhões de metros cúbicos de gás natural, por ano. Atualmente, a rede possui 40 bilhões de metros cúbicos estabelecidos no contrato.